2026: podemos comemorar? Por Antonio Carlos Fonseca Cristiano
Avanços são reais, porém o histórico recomenda prudência antes da celebração

Publicado originalmente no Diário Do Litoral, edição de 19 de dezembro de 2025
Em 2025, os números do Porto de Santos parecem nos autorizar o otimismo. Recordes sucessivos de movimentação, crescimento consistente ao longo dos últimos anos e um balanço de investimentos que, no papel, redesenha o futuro da infraestrutura portuária brasileira. Temos o maior complexo portuário da América Latina, que já superou 179 milhões de toneladas movimentadas no ano, que pulsa cada vez mais forte como o coração da economia do Brasil, como peça-chave do comércio exterior nacional.
Sem dúvida, os anúncios são expressivos. Um ciclo de investimentos públicos estimado em R$ 12,5 bilhões até 2028, somado a projetos estruturantes como o túnel Santos – Guarujá, o megaterminal STS-10 e a concessão do Porto de São Sebastião, aponta para uma transformação de escala inédita. São obras que prometem ampliar capacidade, reduzir gargalos históricos e preparar o porto para um crescimento ainda maior.
Há avanços reais. O planejamento de aprofundamento do canal, a requalificação das perimetrais, a organização do fluxo de caminhões por meio de condomínios logísticos e a perspectiva de novos acessos demonstram uma visão mais sistêmica do porto. Também é inegável que o desempenho operacional recente reflete a capacidade do Porto de Santos de absorver volumes crescentes, mesmo convivendo com limitações estruturais que se arrastam há décadas.
É por isso, caros amigos, que a cautela deve estar lado a lado com o otimismo. Temos memória e muita história. O túnel Santos-Guarujá ficou no papel por quase 100 anos, o leilão do STS-10 foi empurrado para 2026. A infraestrutura ainda demanda inúmeras ações e, algo muito importante, teremos eleições em todo o Brasil no próximo ano.
Mais uma vez, a prudência nos lembra que a celebração deve chegar junto com os resultados reais para o Porto e seu entorno. Que a economia forte precisa refletir na vida de toda a população que respira o porto e não só nos gráficos e relatórios apresentados por quem atua no mercado. É inegável que que tivemos bons resultados. Mas há um caminho a perseguir, aquele que oferecerá mais soluções, mais entregas e mais equilíbrio entre infraestrutura, logística, as comunidades da Baixada e a sociedade brasileira.
ANTONIO CARLOS FONSECA CRISTIANO, “Caio” – Empresário, santista. Presidente da Marimex Inteligência Portuária em Logística Integrada.
