RÉVEILLON

Réveillon…um novo ano. Por Teresa Otondo

… Acho que eles vão passar o ano novo ali mesmo, no terraço… porque para guardá-los tenho de limpar… a biblioteca abarrotada…meu santo…sem parar para conversar com nenhum deles, senão lá se vai o ano.

RÉVEILLON

Fui arrumar a sala para a noite do Ano Novo. Salvo o canto do sofá onde sento para ver as notícias das oito, não havia nem um tico de espaço livre.

Como tantos livros vieram se empilhar por ali? Como será que  tomaram posse de tudo? Não há mais centímetro livre na biblioteca! Nem na sala… Mesa de centro, cadeira de encosto, poltronas…

Armada de coragem levo-os para fora. Precisam de uma boa espanada, vai lhes fazer bem. E prometo não ficar abrindo cada um, nem um ou outro, para dar uma olhada. A tarefa (penosa) é espanar sem abrir que o tempo corre e preciso limpar a sala. Suspiro.

Acho que eles vão passar o ano novo ali mesmo, no terraço… porque para guardá-los tenho de limpar… a biblioteca abarrotada…meu santo…sem parar para conversar com nenhum deles, senão lá se vai o ano.

Prometo que não vou abandonar nenhum. Talvez dar um ou outro a amigos ou familiares que saberão apreciar o presente. Isso os acalma e sabem que não os abandono. Escolho bem os amigos.

Agradeço o ano que passamos juntos. Disseram-me muitas coisas, inspiraram alguns escritos. Conheci muitos colegas, vindos de outras paragens, ali na I Bienal do Livro de Bragança Paulista que atraiu muita gente.

Vieram muitos escritores jovens lançados na aventura de escrever e buscar o seu leitor. Levei meu livro – Rascunhos de Vida, entre livros e escritos. Não vendi nenhum. Não tive paciência para ficar na minha banquinha vendo o povo passar.

Preferi conhecer os outros, os que fazem, os que tentam viver do próprio livro. Como fazem? Apreciei jovens mulheres guerreiras, jovens rapazes com histórias para contar, os que têm um sonho e vão de feira em feira vendê-lo às próprias custas !

Paraninfo dessa primeira bienal bragantina do livro, idealizada pela Editora Coerência, voltada para um público jovem, estava André Kondo, jovem escritor e editor nipo-brasileiro, premiado com um Jabuti com o livro “Pequeno Samurai”.

André desafiou a tradição e o pai porque queria ser escritor e viver disso. De dez livros publicados nove são premiados. Só queria “viver para contar boas histórias”. Pegou a estrada e viajou o mundo sem a ajuda ou beneplácito do pai. Ele só sabia que queria ser escritor e viver disso.

Na I Bienal do Livro de Bragança Paulista, André contou sua história e apresentou, com muita emoção, seu último e também premiado  livro: “O Silêncio de Kazuki”- seu pai.


Teresa Montero Otondo – jornalista,  autora de “Rascunhos de Vida – entre livros e escritos”. (Editora Coerência, BP 2024.)

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