Documentos Epstein
Jessé Souza e Epstein. Por Rui Martins
… Foi nesse clima de antissemitismo que o caso Epstein chegou ao Brasil, provocando numerosas reações na mídia convencional e nas redes sociais, depois da publicação de um vídeo na rede Instagram pelo sociólogo, escritor e professor Jessé Souza…

A revelação de três milhões de documentos extraídos dos arquivos de Jeffrey Epstein relança a teoria de complôs e já atingiu duas personalidades importantes. O ex-ministro francês Jack Lang, por uma questão de evasão de divisas e criação de uma empresa off-shore, já se demitiu da presidência do Instituto do Mundo Árabe, enquanto, na Inglaterra, quem pode cair é o primeiro-ministro Keir Starmer, por ter nomeado Peter Mandelson, amigo próximo de Epstein, predador sexual, como embaixador nos Estados Unidos.
Em entrevista para Radio France, a jornalista Perla Msika, do Conspiray Watch, dirigido pelo Observatório do Conspiracionismo, desmente a existência de uma conspiração mundial pedo-satanista, da qual Jeffrey Epstein seria o instigador “porque ele era judeu, rico e culpado de crimes sexuais”, como propagam redes sociais alternativas e mídias complotistas. Ao contrário, a divulgação dos arquivos Epstein assinala a entrada “numa época de transparência, que permitirá aos jornalistas fazer seu trabalho e saber exatamente do que se trata, mesmo porque existem diversos casos Epstein”.
Entretanto, as teorias antissemitas de complôs já se espalharam e de acordo com The Times of Israel envolvem o mundo judaico, por ter havido associações judaicas interessadas em obter doações de Epstein, ligações financeiras com yeshivas ortodoxas e com o ex-primeiro ministro Ehud Barak. No mais, tem havido um retorno às velhas teorias contra judeus, bem antes mesmo do nazismo.
Foi nesse clima de antissemitismo que o caso Epstein chegou ao Brasil, provocando numerosas reações na mídia convencional e nas redes sociais, depois da publicação de um vídeo na rede Instagram pelo sociólogo, escritor e professor Jessé Souza. Diante das primeiras reações negativas, o vídeo foi modificado, mas ficaram as reações ao vídeo original, segundo a Folha de SP, da qual transcrevemos os textos reproduzidos.
Na Folha de SP, a jornalista Laura Intrieri, definiu o vídeo como “ataque antissemita ao dizer que Epstein “é produto do sionismo judaico”. Sem provas e sem se basear no que tenha sido publicado sobre o caso, Jessé ajunta “a rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação aos políticos bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas de Israel no Oriente Médio e na Palestina”.
Na sequência, Jessé Souza deixou de ser um cientista social para ser um panfletário complotista: “o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com a ajuda de Hollywood e de toda mídia mundial, dominada pelo lobby judaico para acusar de antissemitismo qualquer crítica a Israel.” E afirma seu antissemitismo: “Como Israel, Epstein matava e violava meninas e meninos, americanos e de outros lugares, por uma autorizaçao tácita e às vezes explicita do poder do lobby judaico no mundo”.
Algumas referências:
Instagram Jessé Souza
https://www.instagram.com/reels/DUbFeRjETsR/
Radio France
https://www.youtube.com/watch?v=WEjSrnHnSxs
Estadão
O Globo
The Times of Israel
https://www.timesofisrael.com/release-of-latest-epstein-files-unleashes-online-wave-of-antisemitic-conspiracies/
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- Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –
https://www.youtube.com/@rpertins
Rui Martins – Direto da Suiça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI


E preciso apontar a coragem deste elemento por fazer declarações tão asquerosas e alinhadas com o supremacismo ariano sem nem mesmo esconder sua identidade sob o capuz da Ku Klux Klan.
Prezado Rui. Você sabe o que penso desses tipos que dizem ser de esquerda, mas abrem a boca e provam que a extrema direita de inspiração nazista já os contaminou com sua raiva, sua estupidez, sua retórica, seus métodos – e, pior, seus objetivos de destruição antissemita. Agora que o grande e notável professor Jessé nos esclarece que Israel mata criancinhas em nome do ‘poder judaico’, acho que já podemos, como Lula, nos alinhar ao Hamas, exaltar aiatolás criminosos e declarar Holocausto uma guerra de fronteira que sobreveio à invasão do inimigo que, numa só incursão, matou 1200 israelenses e sequestrou outro tanto, devolvendo viva uma minúscula parcela depois – e isso porque D.Trump obrigou. Quer valer uma aposta, meu caro ? No dia em que o governo brasileiro se der conta do que esse mini intelectual fanatizado andou dizendo sobre Israel e os judeus, Lula galardoará o cara com a Ordem Nacional do Mérito. Escreve ai. Não demora muito, não. O antissemitismo está mais vivo que nunca. É quase uma moda. No mundo todo, e, no Brasil, ainda tem um governo à sua disposição.
Triste saber que, para escapar mais uma vez do bolsonarismo e de todos os toscos de pensamento que vão junto, os brasileiros terão de reelegê-lo.
Forte abraço.