Ah!, esses 7 a 1! Coluna Mario Marinho

Ah!, esses 7 a 1!

Mais do que mostrar possível – e improvável – recuperação do futebol brasileiro, essa vitória por 7 a 1 sobre o pobre e indefeso Haiti nos traz de volta aqueles inesquecíveis 7 a 1 da Copa de 2014.

Nossas tragédias se repetem de tempos em tempos.

Em 1950 eu era um garotinho. Fiquei sabendo que naquele domingo, dia 16 de julho, eu estava em Neves (a grande Belo Horizonte faz parte de Neves) na casa dos meus tios Amélia de Joaquim e que naquele dia foi batizado o meu primo Carlos.

Família reunida, almoço com leitão a pururuca, crianças brincando no terreiro e homens fumando e ouvindo o jogo após o almoço. Veio a derrota para o Uruguai e a perda do título de campeão do Mundo em pleno Maracanã.

Foi triste, mas nós crianças não percebemos.

Passaram-se anos e veio a tragédia 1982 (5 de julho), quando aquela belíssima Seleção Brasileira dirigida por Telê Santana foi abatida pela fraca Itália que levantou voo e acabou campeã do mundo naquela Copa disputada na Espanha.

Foi triste, muito triste. Mas, houve uma espécie de alegria com a eterna capa do Jornal da Tarde que eu criei a partir de uma foto do Reginaldo Manente.

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Capa histórica Jornal da Tarde. Foto de Reginaldo Manente

Aí, veio 2014.

Copa em casa, a Seleção jogando bem, a torcida dando um show cantando o Hino Nacional à capela. Emoção, calafrio, arrepios.

Até aquela tarde de domingo, 8 de julho de 2014.

Eu e a Vera, Primeira Dama desta coluna, estávamos no Continental Clube ao lado de uma turma, a mesma turma com a qual assistimos a todos os jogos do Brasil. Veio aquele vexame, aquela enxurrada de gols, um tsunami de gols. Uma coisa inacreditável.

Lembro de um amigo que se levantou para ir ao banheiro e o Brasil perdia por 1 a 0. Quando ele voltou, já estava 4 a 0.

– Como?, perguntou incrédulo.

Não havia resposta.

Agora, tivemos esse 7 a 1 a nosso favor que só serve para mexer nas feridas.

Mas, faço aqui uma reflexão.

O atual time do Brasil não é assim tão ruim.

Temos uma defesa razoável, com dois laterais que apoiam bem. Nosso meio de campo sente a falta de um jogador de criatividade. Será ele Lucas Lima? Na frente, boto fé no Gabigol, principalmente jogando ao lado de Neymar. Além disso Philipe Coutinho mostra muita vontade. Tomara.

Mas, quando olho no banco, vejo um Dunga. Não, não creio que seja ele o técnico indicado. Falta-lhe criatividade para dizer o mínimo.

Veja os gols e divirta-se

Agostinho do Santos,
O Senhor da Voz.

Neste 12 de junho faz 43 anos que Agostinho dos Santos morreu em um acidente de avião em Orly, na França.

Perdemos um canto de voz suave e forte. Um timbre único.

Era um tarde de terça-feira, eu estava em casa com a Vera assistindo televisão. Já sabíamos do acidente que matou 123 pessoas.

Um incêndio que começou em um dos banheiros obrigou ao pouso forçado a apenas quatro quilômetros do aeroporto de Orly (a partir daí, foi proibido fumar nos banheiros e, mais tarde, em todo o avião).

Houve apenas um passageiro sobrevivente, um jovem de 19 anos de idade. Dos 17 tripulantes, 10 morreram.

Ricardo Trajano foi o sobrevivente que, um ano depois, entrou numa loja de vendas de passagem da Varig e disse à atendente: “No ano passado comprei uma passagem para Londres, mas o avião caiu e eu não cheguei lá. Acho que tenho direito a outra.” Levou a passagem na hora.

Eu e à Vera assistíamos televisão, como disse, quando entrou edição extra de um jornal da época. A imagem mostrou um repórter bastante jovem, meio atrapalhado. Pensei é um foca.

Ele informou que estava à frente da casa de Agostinho dos Santos, em São Paulo. Tocou campainha e apareceu uma mocinha de uns 14 anos de idade. O repórter perguntou:

– Vocês já estão sabendo da morte do Agostinho do Santos?

A menina, apavorada, saiu gritando:

– Mãe, o moço tá falando que papai morreu.

Era mesmo um foca. A reportagem acabou ali mesmo.

Além de Agostinho dos Santos morreram outros brasileiros conhecidos: a atriz e socialite Regina Lecléry, o iatista Jörg Bruder, o senador Filinto Müller, então presidente do Senado Federal, e os jornalistas Júlio Delamare e Antônio Carlos Scavone.

Para relembrar Agostinho dos Santos:

Este é para guardar:

https://youtu.be/8R-lPRD5iis

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

2 thoughts on “Ah!, esses 7 a 1! Coluna Mario Marinho

  1. Grande Marinho,

    Tudo bem? Um pouco de boa música e nostalgia
    são sempre agradáveis e bem-vindos.
    Você também é muito bom nessa “matéria”.

    Parabéns, forte abraço!

    Cesar Camarinha

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