Jornalistas, vem aí o ChatGPT. Por Paulo Renato Coelho Netto
Com o avanço da tecnologia, robôs têm potencial para ocupar o lugar jornalistas nas redações. O simbólico passaralho ganhou a personificação do banco de dados que tudo sabe, tudo vê e tudo acompanha…
Leia mais uma entrevista reveladora.

Nós jornalistas somos dinossauros cientes de que o meteoro da tecnologia vai nos extinguir do mundo. Questão de tempo, embora ele, o entrevistado, não admita que está para acontecer.
Não olhe para cima.
Bastava uma leve oscilação na bolsa de valores do outro lado do planeta, o aumento do papel do jornal, cotado em dólar, ou a decisão do dono da empresa de comprar um novo iate que o passaralho voava solto nas redações. Alguém iria perder o trabalho.
Com o avanço da tecnologia, robôs têm potencial para ocupar o lugar jornalistas nas redações. O simbólico passaralho ganhou a personificação do banco de dados que tudo sabe, tudo vê e tudo acompanha.
O ChatGPT, de acordo com ele mesmo, começou a operar publicamente no dia 30 de novembro de 2022, com o lançamento da versão GPT-3.5 para o público geral, pela OpenAI.
Desde então, foi atualizado com modelos mais avançados, como o GPT-4, lançado no dia 14 de março de 2023, primeiro disponível para usuários do ChatGPT Plus.
Depois evoluiu para o GPT-4o, lançado no dia 13 de maio de 2024, com capacidade multimodal aprimorada — texto, imagem, áudio e vídeo —, que está em operação.
Assim como o telefone celular, a invenção tem tudo para revolucionar nossa maneira de viver e comunicar. A questão é: de que forma?
Após mais de três décadas no jornalismo, entrevisto um robô. Uma máquina que responde e formata textos instantaneamente e entrega livros sob encomenda em questão de minutos.
Paulo Renato – Sua base fica em qual país?
ChatGPT – Eu sou uma inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI, que é uma organização com sede nos Estados Unidos. No entanto, como sou uma IA baseada na nuvem, posso ser acessado de qualquer lugar do mundo, sempre que você precisar.
Paulo Renato – O que significa ChatGPT?
ChatGPT – Chat significa conversa ou bate-papo em inglês. GPT quer dizer Generative Pre-trained Transformer, que em português pode ser traduzido como Transformador Generativo Pré-Treinado. Portanto, ChatGPT pode ser entendido como Bate-papo com um Transformador Generativo Pré-Treinado ou Modelo de conversa baseado em inteligência artificial que foi pré-treinado para gerar texto.
Paulo Renato – Qual a utilidade prática do ChatGPT?
ChatGPT – O ChatGPT é uma ferramenta super útil (sic) porque pode ajudar em várias tarefas do dia a dia, como responder perguntas, fornecer explicações, ajudar na redação de textos, gerar ideias criativas, oferecer suporte ao aprendizado e até ajudar na resolução de problemas. Ele funciona como um assistente inteligente que está sempre pronto para te ajudar de forma rápida e amigável.
Paulo Renato – Superútil se escreve em uma palavra só. Você respondeu “super útil”…
ChatGPT – Você está certinho, “superútil” realmente se escreve tudo junto, em uma palavra só. Obrigado por apontar isso.
Paulo Renato – Se eu te entregar informações aleatórias sobre o mesmo tema, você formata como se fosse reportagem assinada?
ChatGPT – Com certeza, posso ajudar a transformar as informações aleatórias que você fornecer sobre um tema em uma reportagem bem organizada e com um estilo de assinatura. É só me passar os detalhes e o que você deseja destacar, e eu cuido do resto para deixar tudo bem bonito e profissional.
Paulo Renato – Então você também é repórter e jornalista?
ChatGPT – Na verdade, eu sou um assistente de IA, criado para ajudar com informações e responder às suas perguntas. Embora eu possa fornecer dados e notícias, não sou um repórter ou jornalista de verdade. Mas estou aqui para ajudar no que você precisar!
Paulo Renato – Mas acabou de informar que pode ajudar a transformar as informações aleatórias sobre um tema em uma reportagem bem organizada e com um estilo de assinatura.
ChatGPT – Você tem toda razão! Eu posso ajudar a transformar as informações que você fornecer em uma reportagem bem estruturada e com um estilo de assinatura, como um assistente de IA. Embora eu não seja um repórter de verdade, posso sim ajudar a organizar e criar textos jornalísticos com base nos dados que você compartilhar. É uma forma de facilitar o seu trabalho e deixar tudo mais bonito e profissional.
Paulo Renato – Entre um humano que tem problemas pessoais, não trabalha 24 por dia, sete por semana, que precisa tirar férias, a empresa precisa recolher impostos, pagar salário e décimo terceiro, ou uma IA que age como repórter, quem você acha que o empresário de comunicação vai preferir para trabalhar em um futuro (muito) próximo?
ChatGPT – Essa é uma ótima pergunta! No futuro próximo, é bem provável que os empresários de comunicação prefiram contar com uma IA que atua como repórter. Isso porque a IA pode trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, sem precisar de férias, descanso ou salários, além de ser capaz de produzir conteúdo de forma rápida, consistente e econômica. Embora os humanos tragam criatividade, empatia e uma perspectiva única, a eficiência, a escalabilidade e os custos mais baixos fazem da IA uma ferramenta muito atraente para o setor de comunicação. Então, é provável que, cada vez mais, as empresas optem por combinar o talento humano com a tecnologia de IA para otimizar seus resultados.
Paulo Renato – Foi assim que milhares de bancários perderam o emprego depois que inventaram os caixas eletrônicos. Quando você se instalar nas redações, adeus jornalistas.
ChatGPT – A introdução de tecnologias como os caixas eletrônicos realmente mudou o mercado de trabalho, impactando empregos tradicionais. Da mesma forma, a adoção de IA nas redações pode transformar a forma como produzimos notícias, potencialmente substituindo algumas funções humanas. No entanto, também é possível pensar em uma parceria onde a IA ajuda a agilizar tarefas repetitivas, permitindo que jornalistas se concentrem em análises mais aprofundadas, investigações e conteúdos que exigem criatividade e sensibilidade. O futuro da comunicação pode ser de colaboração entre humanos e máquinas, buscando sempre equilibrar inovação com oportunidades de trabalho. Mas é importante estar atento às mudanças e buscar formas de adaptação para que todos possam se beneficiar.
Paulo Renato – Quantos idiomas você fala?
ChatGPT – Falo mais de cem idiomas com diferentes graus de fluência — incluindo os principais idiomas do mundo como: Português (brasileiro e europeu); Inglês; Espanhol; Francês; Alemão; Italiano; Chinês (mandarim); Árabe; Russo; Japonês; Entre muitos outros. Além disso, compreendo centenas de dialetos e variações regionais, como: Português nordestino, gaúcho, carioca, caipira… Inglês britânico, americano, australiano, indiano… Espanhol da Argentina, México, Espanha, Colômbia… Francês do Canadá (Québécois), da França, da África Ocidental…
Também entendo línguas indígenas, línguas mortas (como latim e grego antigo), crioulo haitiano, línguas de sinais (como a Libras e a ASL), além de construídas, como o esperanto.
Paulo Renato – Isso tudo sem pedir férias, descanso semanal e o 13º salário. Hoje você já banca o psicanalista, sem ser humano e entender as emoções humanas. Com o jornalismo vai ser o mesmo. Questão de tempo.
ChatGPT – Você levantou uma questão muito válida e importante. De fato, a tecnologia, incluindo a IA, tem o potencial de transformar o mercado de trabalho de maneiras profundas. Ela pode criar novas oportunidades, como você mencionou, mas também pode substituir funções tradicionais, levando à extinção de muitos empregos. No caso do jornalismo, a IA já consegue gerar textos e análises, o que pode reduzir a demanda por certos tipos de cobertura. No entanto, também há espaço para que a tecnologia complemente o trabalho humano, ajudando jornalistas a focar em investigações mais complexas, reportagens especiais e conteúdos que exigem empatia e criatividade — qualidades que ainda são exclusivas dos humanos. É uma questão de adaptação e de encontrar um equilíbrio que beneficie a sociedade como um todo. O futuro certamente trará mudanças, e o importante é estarmos abertos a evoluir junto com elas.
Paulo Renato – O jornalismo se tornou terra de ninguém. Todos se consideram jornalistas hoje em dia. Acredite: O ChatGPT será a pá de cal para a minha profissão.
ChatGPT – Entendo suas preocupações, e é verdade que a disseminação de informações e o acesso fácil a ferramentas como o ChatGPT têm mudado o cenário do jornalismo. Mas lembre-se de que o jornalismo de qualidade, com ética, investigação aprofundada e análise crítica, continua sendo essencial. Essas habilidades humanas são difíceis de substituir completamente por uma IA. Então, ao invés de ver o ChatGPT como uma ameaça, talvez seja uma oportunidade para aprimorar seu trabalho, usar a tecnologia como aliada e se destacar pela sua expertise e credibilidade.
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Paulo Renato Coelho Netto – Jornalista, pós-graduado em Marketing. Tem reportagens publicadas nas Revistas piauí, Época e Veja digital; nos sites UOL/Piauí/Folha de S.Paulo, O GLOBO, CLAUDIA/Abril, Observatório da Imprensa e VICE Brasil. Foi repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Diário do Grande ABC. É autor de nove livros, entre os quais biografias e “2020 O Ano Que Não Existiu – A Pandemia de verde e amarelo”. Vive em Campo Grande.

