tarifaço

Ilustração: Benjamim Cafalli

tarifaço
Ilustração: Benjamim Cafalli

 O tarifaço do agente laranja pode acabar…

…, mas e o nosso? O Brasil sempre viveu de altas taxações de produtos importados a pedido dos empresários brasileiros sob o argumento da defesa da produção interna. São adeptos do livre-comércio da boca pra fora e adoradores de taxações internas. O governo Collor acabou com vários impostos escorchantes que havia sobre muitos produtos, principalmente na área de Informática, o que acabou redundando no desenvolvimento interno de equipamentos. Vigesse o que existia ainda estaríamos produzindo veículos com carburador e computadores à la Genius.

Segundo pesquisa que fiz, a média das tarifas que o Brasil impõe sobre produtos estrangeiros atinge 7,26%. É mais do que o dobro da média global, que varia entre 2% e 3%. Além das tarifas, aqui se adota uma série de barreiras regulatórias que dificultam a entrada de produtos estrangeiros. 

Recentemente foi criada a “taxa das blusinhas”, que não passa de um tarifaço em cima de produtos consumidos pelas classes sociais mais baixas, tudo para agradar produtores internos de produtos mais caros e de menor qualidade. E, segundo declarou um dirigente da empresa, é um dos motivos da situação penosa em que estão os Correios. Causou a diminuição de postagens.

Darei exemplos pessoais que comprovam que o tarifaço interno, muitas vezes, é maior que o punitivo do ogro. De 1974 a 2006 atuei como repórter fotográfico, freelance a maior parte do tempo, o que fez com que tivesse de atualizar meu equipamento de tempos em tempos. Cada vez que fazia isso mais da metade do que conseguia ganhar ia embora por causa de impostos. Uma câmera Nikon que custava US$ 1,500 chegava aqui por meio do importador oficial, T.Tanaka, pelo triplo do preço. O mesmo acontecia com as lentes. Depois perguntam porque existe contrabando…

Gosto de música, ouço em bom equipamento de som. Há dois anos precisei comprar uma agulha para uma das cápsulas. Comprei via internet no Japão, US$ 110. Pagos os impostos – incidem até sobre o frete! – paguei R$ 2.100!!!

 Meu “esporte” é cozinhar. Recentemente acabou meu verdadeiro molho inglês que trouxe de uma viagem ao Exterior, aquele de nome impronunciável, Worcestershire Lea & Perrins. Lá fora custa entre 4,30 e 5,74 euros a garrafinha com 150 ml. Sabem quanto custa aqui? Pasmem: entre R$ 179 e R$ 219! Fiquei no nacional mesmo.

É fácil perceber que os protestos do empresariado brasileiro são do tipo “sentar no próprio rabo” e falar mal dos outros. Se há uma coisa que apreciam é o tarifaço interno.

O governo, então, nem se fale…

 Que loucura!

“Megaoperação no Alemão e na Penha contra o CV tem 60 mortos”

“Em retaliação à ação policial, criminosos lançam bombas com drones no Complexo da Penha”

A Ucrânia é aqui! 

 Foi eficiente?

    “Comando Vermelho manda fechar ruas em resposta a operação policial e paralisa o Rio”

   “Vias foram bloqueadas em diferentes regiões da cidade; mais de 50 ônibus foram roubados”

   “Criminosos fogem em fila indiana por área de mata durante megaoperação no Rio”

 https://www.youtube.com/watch?v=KORdOhar0UY

 Amanhã todos voltarão ao mesmo lugar e tudo continuará como antes.

 E os paulistas têm de torcer para que Desfeitas/Derrite não fiquem com inveja…

 Opa, perfeito!

Publicado naquele brogue: O cientista político Sérgio Abranches discorda de quem acha que o Rio está vivendo hoje uma guerra civil. “Na guerra civil há dois lados com propósitos distintos — em geral, um quer mudar o status quo e outro, manter. Já aqui há dois lados com propósitos nefastos e um terceiro lado: o das vítimas. A política do Estado é o extermínio. O outro lado quer manter seus domínios para continuar seus crimes. Não tem lado bom. O lado bom morre no fim de cada capítulo dessa interminável série.”

Resumo da ópera

 O Rio virou um caos. Trânsito congestionado em todas as vias principais, aulas  e eventos suspensos. Períodos de trabalho encerrados mais cedo. Nas regiões em que aconteceram os confrontos a população não teve transporte para voltar para casa, teve de ir a pé. O Comando Vermelho continua no poder, mandou bloquear o trânsito e teve êxito.

 Por volta das 19h o tiroteio recomeçou. Ineficiência total, efeito prático nenhum que deu origem a muito bate-boca político, “O governo federal não me ajuda”, “Nenhum pedido feito pelo governador do Rio foi negado. Nos últimos dois dias nenhum pedido foi feito”.

 O povo? O povo que se exploda, como dizia Justo Veríssimo, personagem de Chico Anysio.

 Mudança de comportamento

 O g1 resolveu parar de escorregar na maionese, no noticiário os confrontos foram entre criminosos, às vezes tratados como bandidos, e as polícias Militar e Civil. Não apareceram os “suspeitos” de sempre.

 No UOL/Folha variou, ora eram criminosos, ora pessoas, ora suspeitos. Mais detalhes na quinta-feira no implacável “Implicâncias#10”.

 Não, cara-pálida!

Na “Folha de S. Paulo”: “Bernard-Henri Lévy: Lula se engana ou mente ao acusar Israel de genocídio”.

Não, filósofo, o senhor é quem se engana ou mente. E sendo filósofo, é claro que mente, pois sabe como ninguém os viéses que envolvem as interpretações das teorias e dos fatos. E no caso, fatos há aos montes para comprovar que Lula está certo se analisados sem parti pris (ou fazendo um trocadilho infame, pró…)

O que acha disto: “Netanyahu ordena ‘ataques poderosos’ a Gaza menos de 1 mês após cessar-fogo”?

 Deve ter se inspirado no filósofo…

Dias atrás, o desmoralizador dos irmãos Kennedy, Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde do agente laranja, baseado em nada, ornejou que as mulheres gestantes que tomassem Tylenol poderiam ter filhos autistas. Foi desmentido por todas as entidades médicas do país e pela Organização Mundial da Saúde.

Mas, deep in the heart of Texas, onde prevalece o Partido Republicano, reina a mediocridade. Seu procurador-geral, recusando-se a enxergar a realidade dos fatos, entrou com uma ação na Justiça contra o atual e o antigo fabricantes de Tylenol acusando os dois de enganar os consumidores ao vender o analgésico “mesmo sabendo de supostos riscos de autismo em bebês quando usado por gestantes”. Ou seja, é ignorante e mentiroso ao mesmo tempo. O filósofo é só mentiroso…

 Sempre contra as pessoas…

… e a favor das empresas. Quem disse que a função deles é defender os interesses da população? O deputado fede ral Neto Carletto, relator do Projeto de Lei das Malas de Mão mexeu no texto e limitou aos voos domésticos a proibição de cobrança pela bagagem de mão.

Segundo ele, as companhias aéreas poderão cobrar uma taxa extra nos trechos internacionais dos passageiros que levarem uma mala de mão de até 10 kg.

Olhem a prova que valeu o interesse das empresas: “Após discussões com os principais atores do setor, decidimos limitar o âmbito do projeto aos voos domésticos…”. Principais atores do setor…  

Viva as aéreas!

 Mais um que deixarei de ler

Primeiro, Leandro Karnal, agora Luiz Felipe Pondé, um do “Estadãozinho”, um da “Folha de S.Paulo”.  Aquele bradescando, este fazendo propaganda de seguro-saúde que não tinha, deve ter agora que virou garoto-propaganda e nem sabe direito como funciona.

Não acredito em quem vende opinião. Se outra empresa pagar mais, mudará de ideia. Então, não me interessa mais aquilo que escreve, não sei se é o que pensa ou se pago para pensar. Sou radical? Sim, sou, emitir opinião é assunto sério, influi no comportamento das pessoas. Vejam o que acontece com os seguidores de “influenciadores”. Os dois, para mim, se transformaram em. Imprensa, não se pode esquecer, é o quarto Poder.

 Não custa lembrar do grande futebolista Gerson, que não fumava Vila Rica e fez uma propaganda do cigarro em 1976 que virou, de certo modo, um escárnio, a “Lei de Gerson,” Você gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. 

O corolário: não importam os meios…

 (CACALO KFOURI)

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1 thought on “Sobre o tarifaço daqui também, que não é pouco

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