ESPANHA

ESPANHA!

A decisão da Copa do Mundo 2026 no belo e lotado estádio de New Jersey, foi surpreendente.

Normalmente, sã classificados dois times que entram em campo e se digladiam na disputa do troféu máximo do futebol.

Neste domingo, foi diferente.

Somente um time disputou: a Espanha.

O adversário, a Argentina, até que entrou em campo, mas, abriu mão de jogar futebol.

Cadê aquela Argentina que passou sem sustos pela fase de classificação e depois passou e venceu partidas dramáticas?

No jogo contra a estreante Cabo Verde, de Vozinha, venceu por 3 a 2, mas, na prorrogação.

Nas oitavas, contra o Egito, Los Hermanos chegaram estar perdendo por 2 a 0 e depois viraram, 3 a 2, em apenas 11 minutos.

Nas quartas, a Suíça foi um adversário duro que segurou o empate, mesmo com um jogador a menos, e levou o jogo para a prorrogação, que acabou com a vitória argentina por 3 a1.

Na semifinal, contra a Inglaterra, mais uma vez saiu em desvantagem, mas, se classificou para a finalíssima.

Com tantos jogos difíceis eu e milhões de torcedores acreditávamos que a Argentina chegou à final cascuda, forte, quase imbatível.

Um feroz tigre pronto para vencer, triturar e devorar a pobre da Espanha.

Mas, assim que o juiz autorizou o começo do jogo, viu-se que o feroz tigre não passava de um acomodado e assustado gatinho, daqueles que passam o dia no sofá da sala.

Cadê a raça daqueles beques históricos argentinos que tinham como lema: a bola passa, o adversário não?

Cadê aqueles volantes voluntariosos, de cara feia e muita força?

E mais:

Cadê Messi, o camisa 10, o cracaço de bola, cadê?

Cadê aquele baixinho que faz miséria com a perna esquerda e também chuta muito com a perna direita? Cadê?

Não, não apareceu ninguém.

Do outro lado, a Espanha jogava o mesmo futebol que a levou a ganhar a Eurocopa 2024, com simplicidade: toque de bola, posse da bola, passes certos e paciência para chegar ao gol adversário.

A Espanha não tem craques que desequilibram o jogo, como a Argentina tinha Messi e o Brasil teve Neymar.

Tem o garoto Lamine Yamal que é uma grata promessa. Candidato a craque da próxima Copa.

Mas a Espanha mostrou alguma coisa mais além do futebol certinho: a vontade de vencer, a vontade de ser campeã do mundo.

E foi com essa vontade que venceu por 1 a 0 e tornou-se bicampeã mundial (o primeiro título foi conquistado na Copa da África, em 2010).

Título conquistado, diga-se, com todo o merecimento.

Uma pena que não teve adversário à altura.

Para terminar, eis duas frases que os espanhóis e, claro, os argentinos, gostam de usar:

No creo em brujas, pero que las hay, hay.

Outra:

Es necessario tener cojones.

A Argentina não teve.

Os

Premiados

Espanha
Pau Cubarsí, Rodri e Unai Simón – premiados da Espanha.

O volante Rodri foi eleito o melhor jogador do torneio, enquanto Unai Simón recebeu a Luva de Ouro de melhor goleiro e o zagueiro Pau Cubarsí ficou com o prêmio de Melhor Jogador Jovem.

Destes três premiados só não concordo com a premiação do excelente Rodri.

Para mim, o melhor jogador da Copa foi Lionel Messi.

Ele não jogou nada na final, na verdade, naufragou junto com todo o time argentino. Mas, o melhor da Copa não é decidido no último jogo e sim ao longo da competição.

 Bandeira da Espanha

Destaques

Além da organização da Copa, episódio Infantino/Trump à parte, os destaques que eu gostaria de fazer: a festa em que a Copa se transformou nesses mais de 40 dias. Festa nos Estados Unidos, festa no México, festa no Canadá.

Parece que o futebol, definitivamente, chegou aos Estados Unidos.

A cobertura do evento, aqui no Brasil, foi muito boa, como acontece nas Copas do Mundo.

A televisão teve o fenômeno TV Cazé.

Conseguiu audiência, mas não a minha: um jogo foi o bastante para que eu voltasse à mídia televisiva normal. Muito barulho, palavrões, interferências nas transmissões, muita brincadeira.

Eu aprendi, ao longo dos meus longos anos de imprensa esportiva, que o leitor/ouvinte/telespectador leva o futebol a sério.

Brincadeiras e piadas ficam para os humorísticos.

Gostei da transmissão do Everaldo Marques que, à véspera da Copa, foi alçado à condição de narrador titular da Globo, substituindo Luís Roberto que se afastou por conta de problemas de saúde.

Parabéns, Everaldo.

Gostei também da cobertura do Estadão no quesito jornal impresso.

No dia a dia, o esporte do Estadão vem espremido em pouquíssimo espaço.

Na Copa teve seu espaço generosamente aumentado e a cobertura culminou com um excelente caderno de Copa.

Parabéns, Estadão.


Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi FOTO SOFIA MARINHOdurante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

 


 

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