E agora, a Prorrogação. Blog Mário Marinho

Durante cinco horas, das 17h às 22h, fiquei praticamente o tempo todo acompanhando o bom trabalho de informação quanto à apuração realizado pela TV Globo. Trabalho com o chamado padrão Globo, comandado pelo César Tralli com participação da jornalista Renata Lo Prete, uma espécie de Wikipedia da política brasileira – sabe tudo.
Terminada a apuração, ouvidos os dois candidatos a Presidente, Renata Lo Prete chamou a atenção para o termo usado pelo presidente Lula: prorrogação.
E aí eu discordo da Renata.
Prorrogação quer dizer exatamente o ato de estender, prorrogar ou adiar o prazo de validade de algo que está para terminar.
Não se trata de urgência. Trata-se de definir uma situação.
Muito usada no futebol, a prorrogação pode ser comparada também com o tie-break no vôlei ou no tênis.
A prorrogação pode, às vezes, não decidir e nesse caso, o resultado do jogo é definido em cobranças de pênaltis.
Lula, que nunca desce do palanque, afirmou que o jogo está 0 a 0, começando agora com a prorrogação e disse que é muito bom em mata-matas.
Engano, o jogo não está 0 a 0.
Se o Lula quer usar o mata-mata como metáfora, é bom ele saber que no domingo tivemos o jogo de ida; daqui três semanas, o jogo de volta.
E ele entra neste jogo de volta perdendo por 2 a 0, que são os milhões de votos com que foi batido por seu adversário Flávio Bolsonaro.
Em um mata-mata que um time perde o primeiro jogo por 2 a 0, só resta ao adversário vencer por pelo menos 3 gols.
Será que o Lula consegue isso?
Acho muito difícil.
Flávio teve dois milhões e poucos votos a mais que Lula.
Quem votou no Bolsonaro no primeiro turno, é claro e lógico, vai repetir o voto.
Quem não votou em Bolsonaro não vai, necessariamente, votar no Lula.
Aqui vai entrar, de ambos os lados, um forte trabalho de marketing político para resultados imediatos.
Não há muito tempo: o segundo turno é jogo curto.
Nos dois discursos de ontem, pós-eleição, Lula foi o de sempre, repetindo feitos e promessas.
Inclusive repetindo o mantra da caneta emagrecedora, que parece não ter sensibilizado o eleitorado neste primeiro turno.
Flávio foi mais emotivo. O que é absolutamente compreensível – possivelmente, antes de começar as apurações, ele não tinha lá muita certeza da vitória.
Enfim, resta, mais uma vez, ressaltar a vitória da nossa democracia, seguidamente posta à prova.
Pra terminar, perguntar não ofende: será que os bolsonaristas vão continuar colocando em dúvida a eficácia da urna eletrônica?
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

Sim, li comentários na Internet estranhando o fato de, a exemplo de eleições anteriores, a contagem dos votos para presidente – só para presidente – ter sido interrompida por cerca de uma hora quando Flávio liderava com folga e tinha chance de fechar a fatura no primeiro turno. Quando a contagem foi restabelecida, Lula tinha reduzido a vantagem acentuada e estranhamente. Enfim, muita gente ficou com a pulga atrás da orelha. Parece que nas últimas eleições essa parada tem ocorrido por volta de 18 horas, 18h30, e quando a apuração para presidente retorna, Lula está bem melhor colocado. Bora prestar atenção nisso.