Mural Tiradentes - Portinari - 1949
Inconfidência Mineira. Por Arnaldo Niskier
A inspiração do acadêmico começou pela leitura dos poemas do Painel Tiradentes, produzido por Portinari, em 1948. O seu uso foi cedido por João Cândido Portinari, o que enriqueceu a obra. Já se passaram mais de três décadas da primeira edição do livro.

Empolgado pela palavra liberdade, o acadêmico Domício Proença deu asas à imaginação e escreveu o livro “Oratório dos Inconfidentes: faces do verbo”. A obra é enriquecida por desenhos do genial Cândido Portinari.
Foi um sucesso o lançamento do livro, no teatro da Academia Brasileira de Letras, com um grande público. A sessão contou com a participação do ator Lázaro Ramos, que fez a leitura dramatizada dos poemas da obra, seguida de uma tarde de autógrafos.
Domício mergulhou nos famosos “Autos da Devassa”, em que a coroa portuguesa se manifestou contra Tiradentes e os outros inconfidentes. Domício transcreveu o português do século XVIII, mantendo a mesma grafia dos autos com o título “As palavras da lei”.
A inspiração do acadêmico começou pela leitura dos poemas do Painel Tiradentes, produzido por Portinari, em 1948. O seu uso foi cedido por João Cândido Portinari, o que enriqueceu a obra. Já se passaram mais de três décadas da primeira edição do livro.
Domício se entusiasmou com as mudanças naturais do tempo. “Ninguém sabe mais para onde vamos, mas é certo que a literatura acompanha essas mudanças. O fundo é a exaltação do ser humano e da liberdade de escolha. Alguns leitores dizem que o livro é uma espécie de cântico dos cânticos da liberdade, que permanece sempre atual.”
Na obra misturam-se vozes como a de Tiradentes, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Bárbara Heliodora e anônimos das ruas de Vila Rica (antiga Ouro Preto), palco da revolta. É, pois, um documento histórico de primeira ordem, que convém revisitar.
Deve-se ressaltar o relevante papel exercido pela Academia Brasileira de Letras nesse processo. Não se pode esquecer esses fatos históricos, que fazem parte da nossa vida. Rememorar o que se passou, com a participação de figuras importantes da história brasileira é quase uma obrigação dos nossos intelectuais, como tem consciência a ABL.
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Arnaldo Niskier – Imortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Licenciado em Matemática e Pedagogia pela UERJ. Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ. Honoris Causa da Universidade Santa Úrsula.Comendador do Superior Tribunal do Trabalho.
