Ilustração: Benjamim Cafalli
Justiça anda mal para todos os lados. Todo Tribunal com pendengas

Assim não, pessoal
Discordar de decisões de juízes, desembargadores, ministros e tribunais envolve dois aspectos, conhecimento técnico – e mesmo assim, sujeito a contraponto – e empatia, seja com o proferidor seja com o alvo.
Mas em relação ao que se espera de quem decide, isenção e comportamento irrepreensível como descrito na famosa máxima “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
Não é o que se tem visto.
Ministros do STF associando-se a figuras “nadamente” recomendáveis, viajando em aviões comprados com grana de origem bem original, aceitando convites para participar de eventos pagos por personagens que deveriam estar empapudados há muito tempo. Ministro conhecido internacionalmente por organizar carésimos encontros na Terrinha. E o que tem de “familiares” deles advogando para a alta bandidagem… Alguns têm amizades com figuras piores que o da onça.
Inaceitável!
Recentemente, a desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará afirmou que a magistratura entrará em “regime de escravidão” devido às limitações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal relativas ao pagamento de penduricalhos e verbas indenizatórias. Trata-se de um escárnio, pois mesmo sem o recebimento de benesses, o ganho mensal da reclamante equivale a 23 salários mínimos, o recebido mensalmente por 36% dos trabalhadores brasileiros.
A reclamação, além do mais, tem um lado irreal, o STF deixou muitas brechas na decisão, que possibilitam considerável aumento de ganho.
A desembargadora Maria do Carmo Cardoso teve suas redes antissociais suspensas pelo CNJ devido ao fato de, em 2022, ter postado que o técnico Tite é petista e que “Nossa seleção verdadeira está na frente dos quartéis”. Pois não é que foi nomeada presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cuja jurisdição abrange Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins. Questionada a respeito da postagem declarou com voz embargada que “Sequer tem conhecimento ou se recorda” da publicação.
Não é só dessa declaração que se esqueceu, não lembra das que fez quando recebeu o diploma de bacharel em Direito e ao assumir todos os cargos que ocupou.
Inaceitável!
O que acontece no Tribunal Superior do Trabalho dá um trabalhão para tentar entender e mesmo assim é impossível. O presidente do TST Luiz Philippe Vieira de Mello Filho tornou publica uma divisão interna no tribunal. Dividiu os ministros em vermelhos – os que têm “lado” – e azuis, os donos de visão “liberal”. Ou seja, os sempre favoráveis aos trabalhadores e os aos patrões. Ingênuos os que pensaram que o único lado que deve valer para um julgador é se a regra está no esquerdo ou direito dos códigos…
Para completar o incompreensível, divulgou que 14 ministros “ministram” cursos ensinando advogados como agir nas ações trabalhistas. É, mutatis mutandis, como se Mike Tyson mostrasse seus pontos fracos para que pudessem nocauteá-lo.
Ah, quando estão professorando faltam a sessões no tribunal.
Inaceitável!
Mas, este Brasil brasileiro, pelo jeito, não tem jeito em área alguma.
Mudando de inaceitável para inacreditável
Um dos bebedores de produtos Ypê, o paralamentar deputado Marcos Pollon propôs que seja liberado o uso do FGTS para compra de armas! Não serve nem como piada de mau gosto. A sandice foi aprovada na Comissão de Segurança Pública da Câmara composta em sua maioria por detergentelatras.
Anvisa, proiba algum inseticida urgentemente!
Não foi por falta de aviso
Medidas demagógicas na área econômica dão dois prejuízos. Um nas contas do governo e outro no objetivo, que vira tiro no pé.
Ontem foi revogada, em cerimônia patética, a Taxa das Blusinhas, aprovada no Congresso e sancionada por Lula, para satisfazer parte da indústria textil. Não resultou em ganho de popularidade, prejudicou os mais pobres e ajudou a quebrar os Correios.
Oh, oh, oh
“À polícia, Ed Motta diz que se sentiu ‘desprestigiado’ com cobrança da taxa de rolha e nega ter ofendido funcionários”
“Sou especial, não sou um simples mortal…”.
O problema é que existe a gravação de um áudio feita em 2005 em que ele ofende “xenofóbicamante” um garçom, tratando-o como paraíba.
Cara de pau!
O “Estadãozinho” repetindo o “Estadão”
Nos priscos tempos, o “Estadão, quando encrencava com alguém, passava a mencioná-lo somente pelo sobrenome.
Ontem, Xandão passou a ser agraciado com a velha prática na publicação diminutiva: “Ao que parece, o sr. Moraes deixou de se preocupar até com as aparências e consolidou uma espécie de direito particular, moldado segundo as veleidades do próprio ministro.”.
O Alexandre de foi pro arquivo…
Brasil, o incompreensível Brasil
Hoje é 13 de maio, dia em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea e não é feriado.
Mas criaram um, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro.
Por quê?
Certos apoios confirmam a “suspeita”
“Temer diz ter a melhor impressão de Ciro Nogueira e rechaça pré-julgamento”
É a confirmação do j no lugar do gu…
Então tá tudo nos conformes, uai
“Marqueteiro de Flávio foi citado em plano de Vorcaro contra BC e recebeu R$ 650 mil de dono de agência”
Almas gêmeas.
Tostão, craque dentro e fora de campo
A propósito das despropositadas opinões a respeito de quem deve ou não ser convocado para a Copa, publicou na “Folha” que “Há muitas narrativas sobre a seleção de 1970” – “As versões costumam ser mais interessantes que os fatos”.
Lembra a frase final do clássico faroeste “O Homem que Matou o Facínora”, “Quando a lenda vira fato, publique-se a lenda.”.
Não consegui deslembrar. Tive o privilégio de fotografar a entrevista dele para a “Playboy” em 1984.
A falta de noçãonalidade não tem fim
“Casada há 10 anos, atriz da Globo diz que marca hora para transar”
Além de ser uma evasão de privacidade, é de uma tico-tequice gigantesca. Os linchadores das redes antissociais não têm horário para praticar seu esporte predileto.
A turma se expõe e depois reclama. Não percebeu ainda que “O falem mal, mas falem de mim” atingiu uma selvageria incontrolável.
Chore com lágrimas de crocodilo, merece…
(CACALO KFOURI)
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