Show da super Copa do Mundo. Blog Mário Marinho
Show da super Copa do Mundo

Eu errei.
Errei redondamente.
Há algum tempo, quando a Fifa anunciou que Copa de 2026 passaria de 32 para 48 seleções. Eu fiz cara feia.
Parto do princípio que aumentar o número de participantes não significa, necessariamente, aumentar o nível da competição.
Recebi o apoio do meu amigo Ricardo Pinheiro, advogado, são-paulino, estudioso do futebol que acompanha pelo mundo todo e até com uma informação a mais:
– A Uefa não está nada satisfeita com esse aumento de Seleções, pois considera que isso sobrecarregará o calendário europeu. Fala-se até em boicote.
Felizmente, Gianni Infantino não se curvou à pressão da Uefa nem às críticas do Ricardo e minhas.
E a Copa 2026 – com jogos no México, Estados Unidos e Canadá – é um sucesso sem precedentes, agora chega à sua reta final já deixando uma certa saudade.
Sucesso absoluto em termos de público: estádios com lotação completa em 95% dos jogos.
Sucesso absoluto entre o público nas ruas dos três países, com festas, lindas e animadas.
Sucesso absoluto na organização: a apresentação das bandeiras antes do jogo é um show à parte.
Sucesso absoluto nas execuções dos hinos nacionais com silêncio respeitoso e absoluto do público. Que inveja! Aqui no Brasil, temos a selvagem mania de vaiar os hinos dos outros países. Aliás, aqui não se respeita nem um minuto de silêncio.
Sucesso absoluto dentro de campo, com a bola rolando: jogos técnicos muito disputados, emocionantes, com profusão de gols, com entrega total dos jogadores (não estou falando do Brasil).
Sucesso absoluto nas arbitragens que mantêm bom nível, com discreta participação do VAR.
Sucesso absoluto na aplicação das novidades da Fifa no sentido de coibir a cera e proporcionar ao torcedor mais tempo de bola rolando.
O Brasil foi coadjuvante sem brilho algum. Foi apenas um figurante.
Fico me lembrando do jogo Argentina e Egito com toda aquela intensidade, com toda aquela entrega e não há como não fazer comparação: se o Brasil estivesse em campo, contra qualquer um dos dois, haveria aquela raça toda, aquela gana pela vitória que a gente viu nos dois (a Argentina venceu)?
Não, não. Nossos jogadores estão em outra vibe.
Para não dizer que não houve coisa errada, é bom lembrar que o todo poderoso dos Estados Unidos é Donald Trump, que vem espalhando suas cacas pelo mundo.
Assim, a Seleção do Uruguai que se dirigia ao estádio para jogar, foi abordada pela polícia, os jogadores tiveram que descer do ônibus e a bagagem de cada um foi minuciosamente revistada.
Será o que a polícia esperava encontrar?
Não sei.
Teve também o vexame a que foi submetido o árbitro Omar Abdulkadir Artan, cotado para ser o primeiro somali a apitar uma partida da Copa do Mundo, foi barrado de entrar nos Estados Unidos, e proibido de participar da Copa. Razões de imigração alegada pelos EUA.
Mas o vexame maior foi a interferência de Donald Trump exigindo a revogação do cartão vermelho dado ao atleta da Seleção dos EUA, Folarin Balogun, e que o impedia de participar do jogo seguinte.
O pior e que a Fifa cedeu e suspendeu o cartão vermelho.
Folarin jogou e os EUA foram eliminados da Copa dentro de campo, exatamente no tal jogo seguinte.
Mas vamos falar de coisas boas.
Nesta semana conheceremos os dois participantes da grande final de domingo que vem.
As quatro melhores seleções do mundo, segundo o ranking da Fifa, são exatamente as quatro que disputam a partir de quarta-feira os jogos semifinais.
Amanhã, 14, 16 h:
França x Espanha.
Na quarta-feira, 15, 16h:
Argentina x Inglaterra.
No domingo, os dois vencedores se encontram.
Como diz Galvão Bueno, haja coração!

Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
