Mais escolas, sempre. Por Arnaldo Niskier
Concluí que faltavam escolas no Rio de Janeiro e isso era um tremendo prejuízo ao sistema fluminense de ensino. Tive o privilégio de inaugurar 88 escolas, entre elas o C.E. Fany Niskier, o C.E. Rubem Berta, o C.E. Barão do Amparo, a E.E. Almirante Álvaro Alberto, o C. E. Afrânio Peixoto e a E. E. Boavista…

Ao contrário dos últimos governos estaduais, nos períodos em que participei do Governo Chagas Freitas, como Secretário de Educação (1979 – 1983) e ainda no Governo Rosinha Garotinho, no ano de 2006, dei uma rigorosa prioridade à construção de novas escolas. Concluí que faltavam escolas no Rio de Janeiro e isso era um tremendo prejuízo ao sistema fluminense de ensino. Tive o privilégio de inaugurar 88 escolas, entre elas o C.E. Fany Niskier, o C.E. Rubem Berta, o C.E. Barão do Amparo, a E.E. Almirante Álvaro Alberto, o C. E. Afrânio Peixoto e a E. E. Boavista.
Para combater o esvaziamento do campo e garantir o desenvolvimento econômico regional, priorizei o ensino rural por meio da criação do chamado “cinturão do interior” — um corredor de escolas que se estendia de Teresópolis a Itaperuna. Nesse cinturão, as escolas rurais foram fortalecidas para fixar o educando em sua própria região, integrando a educação ao contexto produtivo local.
O fenômeno criticado pelo jornalista Bruno Astuto, no seu belo artigo disponível na revista Ela, de O Globo, de 4/10/26, agora se repete, colocando a educação em segundo plano.
A política contemporânea sucumbiu à ditadura das redes: o algoritmo vive do like, e o like alimenta-se do bate-boca estéril, jamais da informação de qualidade. Os candidatos perceberam essa falha de mercado e entregam cinicamente ao público exatamente o que ele consome. No centro dessa miopia coletiva está a educação, tema que todos aplaudem nos discursos, mas que ninguém debate com seriedade nos palanques.
A História é implacável e prova que nenhum país alcançou o topo do progresso sem investimentos maciços no ensino. Nos anos 1950, a Coreia do Sul era mais pobre do que a maioria das nações latino-americanas, mas transformou-se em potência pelo saber. Na Finlândia, prestigiam-se e remuneram-se muito bem os mestres. Na Irlanda, em Singapura e na China, o milagre do avanço econômico tem nome e sobrenome: sala de aula.
No Brasil, contudo, falta vontade pública e recursos. Faltam computadores, professores valorizados, conexão e, em casos dramáticos, até banheiros dignos. Nas últimas décadas, a educação pública foi sistematicamente sucateada. Projetos pioneiros como os CIEPs, que ofereciam horário integral, atendimento odontológico e refeições nutritivas, acabaram abandonados por sucessivos governos. Nenhum candidato atual trata a educação com a urgência devida; faltam prazos, dados consistentes e projetos estruturantes.
Um país sem professores respeitados e sem uma educação de excelência, em escolas modernas e com alunos motivados, jamais conseguirá construir um futuro verdadeiramente grandioso.
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Arnaldo Niskier – Imortal. Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras. Professor, escritor, filósofo, historiador e pedagogo. Licenciado em Matemática e Pedagogia pela UERJ. Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi presidente da Academia Brasileira de Letras e secretário estadual de Ciência e Tecnologia e de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Presidente Emérito do CIEE/RJ. Honoris Causa da Universidade Santa Úrsula.Comendador do Superior Tribunal do Trabalho.
