Manifesto-me, manifeste-se. “Ele” não. Por Marli Gonçalves
Senta, por favor. Precisamos conversar. Peço sua atenção, não vai demorar, e é importante. Quero trocar uma ideia enquanto é tempo de poder colaborar para afastar de vez um desastre de enormes dimensões nesta nação manipulada e que pode se destruir tão dividida.
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#EleNão. #OFilhoTambémNão. Pense, repense. Não é caso de antipatia pessoal, que tenho, claro, mas não é isso. Juro. Muito menos de apoio ao petismo que acumula erros há anos, quantas vezes aqui apontados. É preocupação real, pela democracia. Que essa luz não seja apagada.
É memória viva daquele tempo e do que passamos, do que perdemos, vidas inclusive, do que tanto nos embrulhou o estômago, da vergonha que passamos diante do mundo, do negacionismo, das grossuras nas tentativas de nos diminuir, especialmente nós, mulheres, minorias, gays, opositores, imprensa. Pena dos brasileiros raivosos que viraram zumbis naquele janeiro tentando destruir os prédios dos Poderes. Lembre-se: “eles” não estavam lá, para logo se eximirem como fizeram quando a coisa ficou bem feia, muito feia. O povo bucha de canhão.
Este “Ele”, esses “Eles” representam a mentira, o atraso, a submissão, subserviência, a violência, a ignorância, e a manipulação em cima dos muitos problemas que eu, você, todos, sim, todos nós, vivemos, em maior ou menor intensidade, mas vivemos.
A coisa tá ruim? A coisa tá ruim. O dinheiro está difícil. Sim, e muito. Todos temos o sonho de ao menos pagar as contas, manter o nome limpo, trabalhar com prazer, ter momentos de lazer, andar pelas ruas em segurança, acesso à Educação e Saúde de qualidade. Liberdade. Romper o ciclo de violência e corrupção. De injustiças sociais e de parar de ouvir todos os dias casos piores, as letrinhas de organizações criminosas se espalhando, o terror que algo atinja nossas famílias. Todos queremos isso. Só que este “Ele” que promete mundos e fundos não sabe nem onde está parado, mas envolvido exatamente em tudo. Amador, movido pela vingança, pelo sobrenome que carrega. Ouça com atenção as proposições, olhe bem quem que aparece ao seu lado, quem quer indicar, os exemplos que usa como referência. O país ficaria desgovernado, frágil.
A tristeza imensa de ver só homens, homens, homens, e tanta propaganda na tevê usando mulheres negras para apresentar – e infelizmente, repara, até não ser o único que faz isso – exatamente uma das parcelas da população mais agredidas, mortas e na batalha por vidas melhores. Forçando disputas religiosas que tiram a paz dentro dos lares, em nome de Deus?
Mudam e distorcem tudo. Tudo que está ruim repisam, sem solução. Que o Governo Lula anda tropeçando, e anda, mas ruim com ele, pode ser bem pior sem ele. Outros candidatos podiam ter sido testados, verdade. Não apareceram.
Ainda temos tempo. Pouco. Dias. Horas. Que podem ser fundamentais para evitar o poço profundo que poderemos cair nos próximos anos. Me escuta, enquanto ainda podemos opinar.
– MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagens por alguns dos principais veículos, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
