Rayan, no último minuto
Sorry, é o que temos para o momento. Blog Mário Marinho

Tenho certeza que se você acordou mais cedo hoje, sexta, 25, deixando sua aquecida caminha antes das sete para, na hora certa, estar frente à tevê para ver a Seleção Brasileira – se isso aconteceu, você deve estar é muito chateado.
Aconteceu comigo. E eu estou mais do que chateado, estou bronqueado, fulo.
Vamos lá.
É o começo – ou o recomeço – de um trabalho.
Mas tinha que começar com aquele mesmo futebol que nos desencantou na última Copa do Mundo?
Bem, amigo, essa é a realidade: esse é o futebol brasileiro de hoje.
Quem ficou de fora dessa convocação e que poderia fazer a diferença na Seleção hoje?
Quem? Ninguém.
Então é o que temos para o momento. Será penoso, mas temos que ter os pés no chão: já não somos mais os melhores do mundo.
Nossos adversários, quando nos encontram, já não tremem na base como antigamente.
O técnico Carlo Ancelotti não é um santo milagreiro.
Ele não tem poderes para fazer encarnar no jovem Estevão, o espírito de Garrincha.
Ou Hendrick virar um Ronaldo Fenômeno.
Muito menos para transformar Raphinha, o camisa 10 de hoje, num redivido Pelé.
Mas até pode fazer algo e tem que começar já.
Começar a despertar em nossos jogadores o ânimo, a vontade, o tesão de defender a nossa Amarelinha.
Assim como vimos o time da Austrália: é fraco tecnicamente, mas o time se empenhou e quase sai com uma vitória, não fosse o gol salvador de Rayan (foto ao alto), aos 49 minutos do segundo tempo.
1 a 1 ficou de bom tamanho.
Não sei se Ancelotti é um daqueles técnicos que têm o poder de mexer com o espírito dos jogadores. Como muitos dos técnicos que já tivemos por aqui, de Osvaldo Brandão a Vanderlei Luxemburgo. Mas o caminho é por aí.
Teoricamente, Ancelotti até armou um time forte com quatro atacantes de respeito em seus times: Estêvão, Hendrick, Raphinha e Vini Jr.
Mas não deu liga.
Faltou exatamente aquele meia de ligação, capaz de receber a bola no meio do campo e acionar um atacante pela direita ou pela esquerda.
Durante o tempo que ficou e campo, Estêvão fez duas jogadas daquelas que fazia no Palmeiras: o drible para dentro e o arremate preciso de pé esquerdo. Em ambas chutou a bola para fora.
Hendrick fez uma jogada, exatamente explorando sua força física, sua velocidade pela esquerda e só foi desarmado dentro da área adversária.
Raphinha recebeu uma bola de Vini Jr, pelo meio, e encheu o pé: para seu azar, o goleiro foi muito bem e mandou para escanteio.
A única boa jogada de Vini foi exatamente essa que falei do passe para o Raphinha.
É muito pouco.
Ah! – o nervosismo da estreia. Sim, eu sei.
Mas é o momento, a chance que ele tanto esperava: estar na Seleção.
E para estar na Seleção e lá permanecer é preciso estar disposto e, se for necessário, comer grama.
Terça-feira tem mais.
Veja os melhores momentos:
https://youtu.be/_cAQx20zOPc?si=I4JepW4yaf0uo6pi
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
