PALANQUE

O palanque está montado… Por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão

O PALANQUE ESTÁ MONTADO PARA AS SANDICES DA CAMPANHA ELEITORAL.

PALANQUE

O segredo é o segundo turno das eleições. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins, da União Progressista, tiveram confirmadas, nas convenções dos respectivos partidos o apoio às suas candidaturas à Presidência da República no pleito de outubro de 2026. Estão sendo descartadas candidaturas de figuras admiráveis, como Joaquim Barbosa, ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal; Aldo Rebelo, ex-Presidente da Câmara dos Deputados; o escritor e psicanalista Augusto Cury; Edimilson Costa, economista, mais cinco ou seis pretensos candidatos, que não vão surfar sequer entre os indecisos. Estão afogando definitivamente na praia já no primeiro turno.

Lula disputa a reeleição, mas seu nome está na pauta da Convenção do PT para o dia 2 de agosto. As pesquisas pré-eleitorais indicam a preferência popular pelo seu nome, sem alcançar a maioria. Mas, está em primeiro lugar. Uma polarização induzida entre ele e o candidato Flávio, que corre próximo, vai dar o tom para as eleições. Os índices de rejeição dos dois chegam, entretanto, a ser maiores que o de aprovação, espaço reservado para facilitar as adesões dos perdedores no primeiro turno.

Vinte de julho a 5 de agosto. Estamos em pleno período das convenções partidárias municipais, estaduais e nacionais de 2026. Trata-se de um momento decisivo para a definição das candidaturas em disputa, das coligações partidárias e da constituição de federações. As atas das decisões tomadas ali pela maioria dos filiados a cada agremiação dos partidos legalizados, devem ser registradas obrigatoriamente no cartório eleitoral, observando-se o quórum partidário, segundo art. 8º da Lei 9.504/97. O registro assegura a validade jurídica das decisões tomadas.

Entender a convenção partidária em 2026 é crucial para candidatos e assessores, pois é pré-requisito para a aceitação do registro de candidaturas. Impacta diretamente a formação de coligações e federações partidárias. Além disso, permite alinhar estratégias e garantir transparência e segurança jurídica em todo o processo eleitoral. Em caso de vícios procedimentais ou impugnações de candidatos, pode ocorrer a nulidade da convenção. Compreender as regras e datas fixadas pelo TSE é fundamental. Ali estão definidos os prazos para o planejamento adequado das campanhas e preparação para participação efetiva. O conhecimento do cronograma também é estratégico para a gestão de alianças e deliberações sobre federações.

Durante a campanha vê-se de tudo, e a tudo se justifica como o “Calor da Hora”: brigas entre amigos, confrontos familiares, traições e até crimes. Tenho aqui em mãos a cópia do Manual do Candidato, dicas de Marco Túlio Cícero, na disputa pelo cargo de Cônsul, em Roma, no ano 64, antes de Cristo, resumido por Pedro Burgos (Super Interessante, no. 231, ed. Abril, out. de 2006) sobre o comportamento a ser adotado pelos candidatos durante a campanha. Eis as pérolas da Roma Antiga, que servem de roteiro para a configuração, ainda hoje, dois mil anos depois, para as estratégias eleitorais dos pretensos candidatos:

1- Patrulhe os inimigos: Não há eleição sem subornos. 2 – Não caia na tentação: o povo não acredita que você está envolvido em corrupção e vícios. 3 – Esconda seus defeitos: são poucos os meses da campanha. É possível sustentar um disfarce. 4 – Fique do lado dos poderosos: deixe claro que a opção popular foi para conseguir votos. 5 – Ataque os adversários: colecione, leia e releia as acusações contra eles, e as use na campanha. 6 –PROMETA: Não prometer é pior que não cumprir. Trate bem os amigos: deixe a impressão que são seus amigos aqueles que aperta a mão.7 – Cobre dívidas: Mostre para aqueles em débito com você que a eleição é uma oportunidade para demonstrarem gratidão. Está tudo explícito. Acrescentaria o fato de que nas eleições brasileiras de 2026, os candidatos ficaram livres da obrigação de apresentar programas de governo. Isso fica para o Partido. Como conviver juridicamente como isso!?

O pleito de 2026 vai se dar num cenário nebuloso, criado pelo apoio ao candidato Flávio Bolsonaro pelos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. Na outra ponta está Luís Inácio da Silva, apoiado pelos Presidentes da China, Ji Jing Pin; e o da Rússia, Wladimir Putin, este mesmo que invadiu diversos países vizinhos e está agora tentando tomar a Ucrânia. Trata-se de uma injunção em terreno alheio. Mas Lula, Presidente da República do Brasil, fez isso em algumas das eleições nacionais na América Latina.

Há mais. Os confrontos familiares estão anunciando as intenções dos Bolsonaros, revelando uma instabilidade comportamental incompatível para a ocupação da chefia de Estado Brasileiro. Descartável. Por outro lado, as versões e narrativas ficcionais para os indicadores da governança lulista vem desgastando sistematicamente a imagem pública do Presidente e dos próprios companheiros, instalados em outros Poderes que, por coerência identitária, procuram justificá-las publicamente. Elas, em si, acrescentam, contudo, forte dose de desconfiança das intenções narcisistas, do candidato à reeleição pela quarta vez.

No fundo, o Presidente Lula parece confuso. Ideologicamente, nem se fala. O cenário de seu governo tem sido um dos piores dos últimos tempos: inflação e juros elevados, queda na produção industrial e do setor de serviços, desemprego elevado e impostos para todo lado. Praticamente não tem como demonstrar a validade dos indicadores que apresentam, com índices sem correspondentes na realidade. Foi surpreendido com as taxações sobre as exportações para os Estados Unidos, segundo maior importador do Brasil, e que atingiu quase 30% dos setores produtivos no Brasil. Tenta corrigir por meio de bondades, adiamento, perdão ou prorrogação de dívidas de empresas. Nesse sentido já onerou o Tesouro Nacional com gastos (pré-eleitorais) de mais de 180 bilhões de reais, agravando o endividamento público. Ultimamente vem apelando para o velho discurso da “soberania”, procurando enterrar na memória dos eleitores que ele mesmo andou pela América Latina fazendo campanha para os candidatos de sua preferência. A maioria derrotada. Alguns presos…

Mais confuso do que Lula está a população brasileira que se vê diante de um quadro minado por opções fragilizadas.

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Aylê-Salassié F. Quintão –  Consultor de projetos sociais | Consultor da Catalytica Empreendimentos e Inovações Sociais. Jornalista, professor, doutor em História Cultural, ex-guarda florestal do Parque Nacional de Brasília. Vive em Brasília. Autor de  “AMERICANIDADE”, “Pinguela: a maldição do Vice”. Brasília: Otimismo, 2018
Autor, entre outros, de Lanternas Flutuantes:
Português –   LANTERNA FLUTUANTES, habitando poeticamente o mundo
Alemão – Schwimmende-laternen-1508  (Ominia Scriptum, Alemanha)
Inglês – Floating Lanterns  
Polonês – Pływające latarnie  – poetycko zamieszkiwać świat  
novo livro de Aylê-Salassiê: TERRITÓRIO LIVRE!

 

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