Por um empate. Blog Mário Marinho

Fluminense e Palmeiras fizeram um jogo interessante na noite dessa quarta-feira, no Maracanã lotado com bela festa das torcidas.
Interessante porque foi um jogo bem disputado, de ambos os lados, porém sem grandes lances de emoções, sem grandes defesas dos dois goleiros.
Os donos da Casa, comandados pelo futebol elegante de Ganso, tomaram conta do jogo com rápidas trocas de passes – mas passes laterais que não chegavam a levar perigo à defesa do Palmeiras.
O Verdão, por sua vez, não se incomodou com o domínio de posse de bola do adversário e se colocou bem na defesa, evitando infiltrações profundas e se preparando para o contra-ataque.
Para se ter ideia o primeiro lance de perigo aconteceu aos 45 minutos do primeiro tempo, quando Flaco Lopez , sempre ele, arrancou com velocidade e marcou Palmeiras 1 a 0.
Pode ser uma visão paradoxal considerar interessante um jogo com poucos lances de emoção. Mas foi assim: a troca de passes e o domínio de tempo de bola do Fluminense foi agradável de ver.
Assim como a postura enganadoramente defensiva do Palmeiras que se postou cuidadosamente como um animal selvagem, uma puma, à espreita, pronta para o bote.
No segundo tempo, a postura dos dois times continuou praticamente a mesma, embora o Fluminense tenha sido um pouco mais agressivo.
E, quando a torcida do Palmeiras (quatro mil ingressos foram vendidos) já considerava a vitória por 1 a 0 um bom resultado, eis que Marlon Freitas pega o rebote dentro da área e faz Verdão 2 a 0.
Bateu o desespero no Fluminense e em sua torcida.
Afinal, reverter os 2 a 0 no jogo de volta, no Nubank Parque, seria tarefa quase impossível.
Mas o futebol escreve suas histórias por linhas nem sempre retas e explicáveis.
Pois foi assim que Wesley Natan – que não é um jogador alto, 1,85 m – venceu a quase intransponível defesa do Palmeiras, onde pontificam Gomes, Murilo e Barboza, zagueiros que ganham todas as bolas alçadas sobre suas áreas e fez o gol de honra do Tricolor carioca.
Não só gol de honra, mas o gol que aliviou a torcida do Flu que aplaudiu o seu time ao final do jogo, certa de que o placar de 2 a 1 pode ser revertido.
O que fez com que os dois times saíssem do gramado aplaudidos por seus torcedores.
E, embora eu não considere o campo de futebol um Tribunal de Justiça, o placar foi justo pelo desempenho dos dois times.
O jogo de volta será na próxima quarta-feira, 21, em São Paulo.
Veja os melhores momentos:
O perigo
do Leão Ferido.
Esbanjando simpatia e usando um português impecável por ter morado quase dois anos no Rio de Janeiro e ter sido casado com uma brasileira, Clarence Seedorf deu sua primeira entrevista coletiva e não fugiu de perguntas.
Antes de mais nada, o homem é um poliglota: fala francês, inglês, italiano, espanhol e também neerlandês por ser a língua falada no Suriname, onde nasceu.
Para o fato de não estar por dentro do futebol brasileiro e muito menos do Corinthians, o novo técnico respondeu:
– O futebol é internacional. A linguagem é a bola que todos os jogadores conhecem e usam para se comunicar dentro de campo, independente de nacionalidade.
Explicou que acompanha, sim, o futebol brasileiro do qual seu pai é um grande admirador.
– Acompanhamos juntos muitos jogos do Campeonato Brasileiro e do Corinthians.
Falando especificamente do Timão, disse:
– O Corinthians, nesse momento, é um leão ferido. E um leão ferido é um perigo. E eu senti isso no contato com os jogadores: todos querem mudar a atual situação.
Vamos lá.
Como jogador, Clarence Seedorf foi indiscutível: craque por onde passou. Um vencedor.
Como técnico, a coisa é diferente.
Ele está há sete anos sem dirigir nenhum time.
Ele dirigiu o Milan, o chinês Shenzhen, o La Crouña e a Seleção de Camarões.
Foram 63 jogos como treinador, com 20 vitórias, empatou 17 vezes e sofreu 26 derrotas.
Ou seja: mais derrotas do que vitórias.
Em minha opinião, o Timão, nesse conturbado momento dentro e fora do campo, precisava de um técnico com mais conhecimento das manhas, das mumunhas do nosso futebol.
Não sei como é a relação de Seedorf com os jogadores no vestiário.
Mas ele tem um sério problema pela frente: fazer com que alguns jogadores, craques, se esforcem como se fossem um cabeça de bagre.
Dois problemas sérios que eu vejo:
1 – DePay. Há muitos e muitos jogos que o Memphis DePay não produz aquilo que ele produzia quando chegou a Corinthians e conquistou torcedores.
Aplicação, dribles, passes milimétricos já não parecem mais fazer parte de seu repertório.
Reparei que naquela goleada sofrida para o inclemente Palmeiras, DePay não ganhou uma bola dividida.
Aliás, ele não vai na dividida: ele tira o pé.
Ao tirar o pé na dividida, o jogador dá um pulinho e foi daí que nasceu a expressão “pipoqueiro”: o milho, ao se transformar em pipoca, ele dá um pulo.
É o que DePay anda fazendo e muito.
2 – Garro. Um craque quando quer jogar.
Atualmente, ele anda em campo como se estivesse passeando na La Recoleta, elegante, rico e charmoso bairro de Buenos Aires.
Jogar mesmo que é bom, nada. Assim como nada daquela tão decantada garra argentina.
Enfim são problemas de um Leão que, ao ser ferido, feriu também uma imensa nação – a Nação Corintiana.
Vitória
Fácil do Galo
Jogando em casa, o Atlético Mineiro não teve dificuldades em vencer o Montevideu City Torque por 3 a 0, no jogo de ida pela Copa Sul-Americana.
O jogo de volta será na próxima quarta-feira, 21.
Veja os melhores momentos:
https://youtu.be/lc661IkWM8E?si=3E-sEi4Yl7orG_Sv
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
