Personagens das Copas do Mundo – III: Leônidas. Coluna Mário Marinho

PERSONAGENS DAS COPAS DO MUNDO – 3

Leônidas, negro, artilheiro, diamante

COLUNA MÁRIO MARINHO

A Copa do Mundo de 1938 foi disputada na França com a Europa à beira da Grande Guerra que viria a eclodir em 1º de setembro de 1939.
Sob esse clima, a França sediou a terceira Copa do Mundo. A Argentina, que se candidatou a sede e foi preterida, não compareceu; o Uruguai ainda estava magoado e ficou de fora.
Ao contrário do que acontecera nas Copas de 1930 e 34, o Brasil foi para a Copa de 1938, na França, sem brigas internas em seu futebol que era, então, comandado pela Confederação Brasileira de Desportos, a CBD.
Dessa vez, foram convocados os melhores do Brasil.
A Seleção Brasileira fez uma boa campanha e, mesmo com as muitas viagens internas pela França, chegou ao terceiro lugar.
Sua chance de chegar pela primeira vez numa final esbarrou na forte Itália, para a qual perdemos por 2 a 1.
Disputamos o terceiro lugar com a Suécia e vencemos por 4 a 2.
Além disso, tivemos o artilheiro da Copa, o fantástico Leônidas da Silva, com sete gols.
A campeã foi a Itália, que venceu a Hungria na final por 4 a 2.
A essa época, Leônidas já era jogador do São Paulo.
Conheça esse grande artilheiro e grande personagem.

Leônidas – Leônidas da Silva

(*Rio de Janeiro-RJ, 06/09/1913 +São Paulo – SP, 24/01/2004)

Posição – Atacante
Jogos – 38 (21 vitórias, 8 empates, 9 derrotas, 38 gols)
Copas disputadas – 1934, 1938
Títulos – Copa Rio Branco (1932); Copa Rocca (1945).
Clubes em que jogou – São Cristóvão-RJ, 1929; Sírio-Libanês-RJ, 1929 a 1930; Bonsucesso-RJ, 1931 a 1932; Peñarol-URU, 1933; Vasco da Gama-RJ, 1934; Brasil-RJ, 1935; Botafogo-RJ, 1935 a 1936; Flamengo-RJ, 1936 a 1941; São Paulo-SP, 1942 a 1951.
Leônidas é um capítulo especial e bonito da bela história do futebol brasileiro. Faz parte do seletíssimo grupo dos três primeiros jogadores realmente excepcionais do futebol brasileiro (os outros dois são Arthur Friedenreich e Fausto).
Garoto pobre, era torcedor do Fluminense, mas começou a jogar bola no São Cristóvão. A lista de clubes que defendeu é extensa. Em 1933, foi contratado pelo Peñarol-URU, onde foi vice-campeão, voltou ao Brasil no ano seguinte, para o Vasco e sagrou-se campeão carioca. Daí percorreu quase interminável lista de clubes, sempre sendo artilheiro por onde passou.
Encerrou sua carreira no São Paulo, clube que defendeu durante nove anos.
Sua primeira convocação para a Seleção brasileira foi em 28/11/1932 (amistoso contra o Andarahy-RJ e vitória por 7 a 2).
Na péssima campanha da Copa de 1934, foi dele o nosso único gol, no único jogo: derrota para a Espanha, 3 a 1.
Leônidas jogaria mais uma Copa, a de 1938, quando o Brasil conseguiu sua melhor colocação até então: 3º lugar. Foi ele o artilheiro da competição com sete gols (nos 38 jogos em que defendeu a Seleção, marcou 38 gols).
Para alguns historiadores, foi Leônidas o inventor da bicicleta. Para outros, foi outro jogador brasileiro: Petronilho de Brito, cabendo a Leônidas aperfeiçoá-la. A verdade que se coloca acima dessa discussão é que ele tornou a bicicleta imortal e admirada no mundo todo.
Na Copa de 38, recebeu o apelido de “Homem Borracha” dado por um jornalista francês que, depois, passou a chamá-lo de Diamante Negro. Alguns anos mais tarde, a Lacta lançou o chocolate Diamante Negro, pagando ao jogador dois mil réis, sendo que Leônidas nunca mais cobrou pelo uso da marca.
Em 1942, ele se transferiu para o São Paulo. Dez mil torcedores tricolores foram esperá-lo em festa na Estação Ferroviária da Luz. Seu passe custou 200 contos de réis, no que foi considerada a maior transação do futebol brasileiro até então. Na sua estreia, em jogo contra o Corinthians, no dia 24 de maio de 1942, o Pacaembu recebeu 74.078 pessoas, recorde nunca mais alcançado.
Encerrou sua carreira, em 1950, no São Paulo, time pelo qual disputou 136 jogos e marcou 142 gols.
Ao encerrar a carreira, ainda ficou ligado ao São Paulo como dirigente e até mesmo como técnico-interino em algumas ocasiões.
Tornou-se polêmico e respeitado comentarista esportivo de rádio na Jovem Pan-SP, onde trabalhou até 1974, quando passou a sofrer do Mal de Alzheimer. Durante os 30 anos da doença, sua mulher, Albertina Santos, foi companheira fiel visitando-o diariamente numa clínica especializada onde foi internado, na cidade de Cotia – SP. O São Paulo pagou todo o tratamento.
Morreu em janeiro de 2004.

Os Grupos
da Libertadores

Foram sorteados, pela Conmebol, os grupos da Libertadores que tem seu início, na chamada fase preliminar, previsto para 27 de fevereiro. Essa fase deverá terminar no dia 24 de maio e, na sequência, começa a fase de grupos.
Os Grupos são bastante equilibrados. Confira,
Grupo 1: Grêmio; Cerro Porteño (PAR); Defensor (URU); Monagas (VEN)
Grupo 2: Atlético Nacional (COL); Bolívar (BOL); Colo-Colo (CHI); Delfin (EQU).
Grupo 3: Peñarol (URU); Libertad (PAR); The Strongest (BOL); Atlético Tucumán (ARG);
Grupo 4: River Plate (ARG); Emelec (EQU); FLAMENGO; Vencedor 1 – Deportivo Macará (EQU) ou Deportivo Táchira (VEN) ou Independiente Santa Fé (COL) ou Santiago Wanderes (CHI) ou Melgar (PER)
Grupo 5: Cruzeiro; Universidad de Chile (CHI); Racing (ARG); Vencedor 3 – Oriente Petrolero (BOL) ou Universitário (PER) ou Jorge Wilstermann (BOL) ou Universidad Concepción (CHI) ou Vasco
Grupo 6: Santos; Estudiantes (ARG); Real Garcilaso (PER); Vencedor 2 – Chapecoense ou Nacional (URU) ou Banfield (ARG) ou Independiente Del Valle (EQU)
Grupo 7: Corinthians; Independiente (ARG); Millonarios (COL); Deportivo Lara (VEN)
Grupo 8: Boca Juniors (ARG); Palmeiras; Alianza Lima (PER); Vencedor 4 – Carabobo (VEN) ou Guarani (PAR) ou Junior Barranquilla (COL) ou Montevidéu Wanderes (URU) ou Olímpia (PAR)
Nessa fase de Grupos, classificam-se os dois primeiros colocados.
Excetuando-se as zebras que costumam pintar nessa fase da Libertadores, os times brasileiros não deverão ter sérios problemas para se classificarem.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
 (DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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