Sexo feminino e Suicídio – I. Por Meraldo Zisman

Violência  


SEXO FEMININO E SUICÍDIO I

Meraldo Zisman

… a preponderância do suicídio no sexo masculino está quase perdendo sua posição de liderança pelo aumento dos casos no sexo feminino, segundo afirmam as últimas análise dos dados oficializados pela Organização Mundial da Saúde. Esse levantamento mostra ainda que a diferença historicamente grande entre suicídios de jovens do sexo masculino e feminino está diminuindo…

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O suicídio é uma das mais graves formas de violência, independentemente da idade ou do sexo.  O número de tentativas de suicídio pode ser 20 vezes maior que o número de mortes por elas causadas. Estima-se que aproximadamente 5% das pessoas tentem o suicídio pelo menos uma vez na vida e que a prevalência de ideias suicidas ao longo da vida atinja de 10 a 14% da população. O suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo e, em alguns países, as taxas aumentaram 60% nos últimos anos.

O fato é que a preponderância do suicídio no sexo masculino está quase perdendo sua posição de liderança pelo aumento dos casos no sexo feminino, segundo afirmam as últimas análise dos dados oficializados pela Organização Mundial da Saúde. Esse levantamento mostra ainda que a diferença historicamente grande entre suicídios de jovens do sexo masculino e feminino está diminuindo. Acontecem em média três suicídios no sexo masculino para cada um no sexo feminino.

Apesar das dificuldades estatísticas sobre o suicídio, seja qual for o motivo, o fato é que tem aumentado o suicídio ou suas tentativas nas pessoas do sexo feminino e – de maneira assustadora – entre as jovens (dos 10 aos 19 anos), nos últimos 5 anos ou talvez muito antes.

Números divulgados pelo nosso Ministério da Saúde constatam que no ano de 2016 o suicídio no Brasil chegou a 11.433, excetuando-se as tentativas sem êxito letal. O número de tentativas, sobretudo entre as mulheres, está aumentando cada vez mais. De 5.264 em 2007 alcançou 26.251 tentativas em 2017. Em dez anos, foram quase 154 mil mulheres que tentaram o suicídio. Ou, dito de outra maneira, em cada dez tentativas de suicídio por intoxicação, sete foram praticadas por mulheres. Os métodos preferidos pelas mulheres para dar cabo da vida são menos agressivos, o que permite uma interferência mais eficaz.

…Iniciativas direcionadas à prevenção do suicídio são necessárias e devem levar em consideração a diversidade de contextos culturais e socioeconômicos da população de cada país.

A violência contra o sexo feminino que ocorre neste século é apontada como importante fator de risco, aumentando o número de tentativas.  Esposas, companheiras, mães, namoradas, amigas, são vítimas de assédio sexual quando crianças ou adolescentes – e isso a partir dos 9 anos de idade.

Saliento que boa parte dos suicídios está relacionada a questões intra-familiares, inclusive de violência sexual. Apesar de a violência ser o principal fator determinante, não é o único. O desemprego e a pobreza também fazem parte desse panorama.

Os números relativos ao suicídio devem ser muito maiores do que os apresentados, pois a ‘subnotificação’ (notificação abaixo do esperado; notificação não formalizada, gerando índice abaixo da realidade) é inconteste nessa modalidade da violência, tanto no Brasil como em todo mundo.

Recentes trabalhos americanos insinuam, com cautela, que o teor das programações midiáticas pode estar relacionado com o aumento do suicídio entre as jovens e que um excesso de suicídios de aproximadamente 15% ocorreu no primeiro mês após o lançamento de um programa midiático destinado ao grupo alvo principal, de 10 a 19 anos de idade.

Ademais insinuam alguns que associações significativas estavam presentes em todos os três meses em que um programa com episódios suicidas foi divulgado pelas redes sociais…

Pensamentos e comportamentos suicidas são mais prevalentes entre as adolescentes em países de baixa e média renda, particularmente nas regiões africana e ocidental do Pacífico, particularmente entre meninas e adolescentes com idade entre 15 e 17 anos.

Iniciativas direcionadas à prevenção do suicídio são necessárias e devem levar em consideração a diversidade de contextos culturais e socioeconômicos da população de cada país.

Soluções e Prevenções devem ser aplicadas com muito cuidado no Brasil, um país continental e com imensas diferenças regionais e enorme estamento populacional e psicossocial.  Voltarei ao assunto no artigo seguinte.


Veja os outros artigos onde o autor versa sobre “VIOLÊNCIA”:

artigo I Medicina e Política. Por Meraldo Zisman

artigo IIA Epidemiologia algorítmica na prevenção da violência. Por Meraldo Zisman

artigo IIICélulas espelhos. Por Meraldo Zisman

artigo IVViolência Interpessoal. Por Meraldo Zisman

artigo V – O Medo Ancestral. Por Meraldo Zisman

artigo VIViolência e Drogas. Por Meraldo Zisman

artigo VII Apreciações gerais e tipologia da violência. Por Meraldo Zisman

artigo VIIIViolência Oculta. Cripto-violência. Por Meraldo Zisman

artigo XIXGravidez na Adolescência. Por Meraldo Zisman

artigo XSíndrome da criança espancada. Por Meraldo Zisman


Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE).

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