IMPEACHMENT

O impeachment salvaria o Brasil. Por Edmilson Siqueira

O que seria melhor para o Brasil? Deixar Bolsonaro sangrando até o fim do seu mandato quando, pelo andar da carruagem estará com menos de 20% de apoio eleitoral e não será reeleito, ou iniciar já um processo de impeachment que colocaria rapidinho Mourão no seu lugar e, seis meses depois o general assumiria definitivamente, até a posse do eleito em 22, que se dará em janeiro de 23? Hoje, esse eleito seria Lula.

O Centrão, pelo que se lê por aí, está buscando essa resposta. Isso significa que todos aqueles avisos de que o Centrão nada junto com o governo a troco de verbas e cargos, mas não morre afogado ao lado de ninguém são mais que verdadeiros.

Bolsonaro já fez muita coisa para merecer ser defenestrado do poder, mas estamos no Brasil, onde os interesses pessoais dos políticos raramente são os mesmos interesses do país. Assim, ele, enquanto tem tinta na caneta, vai segurando o apoio dos trezentos e poucos picaretas que, desde Collor, dizem quem fica na presidência e quem sai dela pela porta dos fundos.

Mas mesmo que a tinta na caneta perdure, as pesquisas e a pressão popular também podem definhar o apoio interesseiro da turma do “é dando que se recebe”. Esse apoio, hoje, é definido por pesquisas, já que a tal de voz rouca das ruas anda meio abafada não só pelas máscaras, mas pelo que provoca o uso delas: o vírus da covid 19 ainda está ativíssimo no Brasil e sair às ruas, em meio a multidões, caminhando e cantando e seguindo a canção, é muito mais perigoso do que quando Vandré lançou essa marcha militar pra animar a moçada da esquerda naquele fatídico 1968.

E as pesquisas indicam queda acentuada do apoio ao genocida presidente.  Acentuada mas ainda não suficiente para o Centrão abandonar o barco. E o motivo para esse não abandono está na vice-presidência.

Explico: Collor tinha como vice Itamar Franco, ex-deputado, ex-senador e uma das velhas raposas políticas mineiras. Ora, ao perceber o definhamento do governo acompanhado da pressão das ruas, Itamar logo percebeu que o barco estava à deriva. Intrigas familiares, denúncias de achaques a empresas e muita corrupção centralizada numa figura emblemática daquela governo: Paulo César Farias, o PC, tesoureiro da campanha e operador posterior de propinas variadas.

Ao perceber o clima de fim de festa, Itamar tratou, primeiro, de se desligar do partido (PRN se não me engano) e, depois, de fazer a devida conspiração com aqueles que tinham o poder de impedir Collor de continuar sua louca aventura no poder. PMDB e PSDB eram fortes à época, mas o governo tinha também o PT como oposição que, mesmo não sendo tão grande, era o mais barulhento.

Já Dilma, vítima do segundo impeachment depois do que chama de volta à democracia (falta muito ainda, mas errando é que a gente aprende…), cometeu seus pecados mortais, mas poderia até se segurar no cargo, não tivesse, como Collor, uma velha raposa como vice. Quando a pressão das ruas subiu contra Dilma e as pesquisas acusaram o derretimento, Michel Temer costurou direitinho os arranjos do que seria seu governo com a maioria do Congresso. Sim, o Centrão era o, digamos, movimento, que mais lhe apoiou, depois de quase 14 anos apoiando o PT.

Jair Bolsonaro tem um general como vice que, além de nunca ter sido político, parece temer dar um passo maior que as pernas e errar o passo no desfile que o levaria à cadeira presidencial. Dizer que ele é muito mais inteligente que Bolsonaro (e é mesmo) não é grande coisa, pois isso qualquer um é. O problema é que ele não está conspirando, pelo menos até agora.

impeachment de Bolsonaro

… As pesquisas hoje incentivam Lula e PT a não aderir a um impeachment pois podem vencer Bolsonaro facilmente. Como sempre, preferem o Brasil sangrando nas mãos de um genocida a correr maiores riscos nas eleições daqui a 16 meses…

Pois tenho certeza que se o derretimento nas pesquisas continuar e aumentar a quantidade de pessoas com coragem para sair às ruas, Mourão vai perceber que chegou a hora de tomar uma atitude e, claro, vai ser obrigado a comprar um celular novo para nele colocar só os números dos congressistas para iniciar a terceira conspiração pós-democracia.

Um dos entraves a esse cenário tem como nome Lula e como sobrenome PT. Pois a petralhada e seu líder concluíram que será melhor enfrentar um Bolsonaro sem apoio, do que um candidato do centro apoiado por Mourão que, com certeza, faria em um ano e pouco muito do que Bolsonaro deixou de fazer por incompetência e burrice.

As pesquisas hoje incentivam Lula e PT a não aderir a um impeachment pois podem vencer Bolsonaro facilmente. Como sempre, preferem o Brasil sangrando nas mãos de um genocida a correr maiores riscos nas eleições daqui a 16 meses.

Portanto, nossas esperanças de que Bolsonaro caia, que Mourão assuma, que faça um bom trabalho, apoie uma terceira via e que tenhamos algum governo a partir de 2023, ainda dependem de alguns importantes fatores.

Não é pra desanimar, mas, é bom estar preparado para o pior, pois, como disse Tom Jobim, “o Brasil não é para amadores.”

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Edmilson Siqueira é jornalista

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