A cadela no cio. Por Dagoberto Alves de Almeida
…uma nova forma mais republicana de se praticar o poder impedirá que a Ultra direita venha mais forte com algum populista montado nessa cadela que é o fascismo, sempre no cio que, de tocaia…

Tenho me patrulhado para evitar críticas à Esquerda, pois que não quero em absoluto “levantar a bola” para a nefasta e oportunista ultra direita. Mas é preciso que ela própria se dê ao direito de fazer uma histórica e necessária mea culpa — como bem atestou Mano Brown — sob pena de não estabelecer limites à política de coalizão com o fisiológico Centrão, por sinal fortalecido no famigerado desgoverno Bolsonaro. A manifestação mais recente desta prática foi a extorsão sofrida pelos aposentados do INSS nas mãos de um político de coalizão, o qual mesmo alertado pelos muitos avisos não se preocupou em impedir o assalto das associações que, em sua maioria, foram autorizadas no governo Bolsonaro. A narrativa canalha da Ultra direita se lambuza apesar do atual governo ter mandado investigar e de estar ressarcindo os que foram espoliados.
O fato é que a história não costuma dar segunda chance, muito menos uma terceira. Pois a eleição de Luiz Inácio da Silva se fez necessária como alternativa às tenebrosas consequências de atos golpistas que transformariam essa nação em uma ditadura da família Bolsonaro. Todavia, é preciso que a Esquerda, notadamente o PT, tenham a coragem de admitir sua cota de responsabilidade por nos trazer até onde estamos, com a democracia ainda ameaçada pelo fascismo à espreita de qualquer deslize — que têm ocorrido às pencas — para aplicar o golpe final a partir de 2026.
Afinal, mais do que a manifestação da mentalidade fascista que historicamente faz parte de parcela expressiva da população deste país, a Esquerda com todos os seus méritos na implementação de necessárias políticas publicas em prol dos mais desassistidos, incentivou ou no mínimo fez vista grossa em situações absurdas como aquela do político de esquerda pego com dólares na cueca ou na composição com o notório Geddel Vieira, aquele do apartamento abarrotado de dinheiro. A governabilidade deveria ter limites…
A ascensão da Ultra direita, vitaminada pela parcial Lava Jato, foi em grande medida produto direto do antipetismo, pelas práticas de corrupção no Mensalão, no Petrolão e no aparelhamento inconsequente e voraz dos fundos de pensão das estatais brasileiras com o intuito de financiar partidos fisiológicos à esquerda e à direita. Sua versão recente, o Centrão, mostra que o fisiologismo continua mais atuante que nunca, chegando ao nível de legislar para oficializar o sangramento do orçamento para seus propósitos eleitoreiros no tal Orçamento Secreto (criado para que Bolsonaro não sofresse impeachment), agora travestido de Emendas Parlamentares. Não é de se espantar, portanto, que faltam recursos para a saúde e para a educação, pois que foram desviados para atender os pouco transparentes e decididamente ineficazes projetos eleitoreiros para a manutenção de currais eleitorais.
As reformas necessárias para de fato erradicar o fascismo é árdua e de futuro incerto. Merece aplausos os resultados “tirados a fórceps” que têm garantido a recomposição de políticas públicas para benefício de milhões como o “Minha Casa, Minha Vida”, o “Bolsa Família” – corrompida vergonhosamente pelo desespero do golpista-genocida em ganhar a eleição a qualquer custo e que, ainda assim, perdeu— e o Programa “Farmácia Popular”, além da reforma tributária e da Isenção do IR para a população de baixa renda, bem como do meritório programa “Pé de Meia”. Ainda assim, o governo leva uma lambada atrás da outra por conta de mentiras na prática das fake news que atuam rompantes pela falta de uma legislação que responsabilize as bigtechs na promoção da desinformação. Daí falsidades como as pregadas pelo pequenino Níkolas Ferreira viralizam junto à população, justamente nas mais desassistidas, impulsionada por aqueles que misturam religião com política. Um descalabro.
Cheguei à conclusão de que parte expressiva dessa geração está irremediavelmente corrompida pelo fascismo, daí porque se faz necessário focar no que faz a diferença para efetiva redução da desigualdade para não comprometer o futuro das novas gerações: dar condições de subsistência digna aos mais vulneráveis economicamente, mais saúde via fortalecimento do SUS, em especial da vacinação, e educação de qualidade. Inciativas que este governo está fazendo apesar dos tremendos obstáculos colocados, propositalmente, a sua frente. Assim, esperançosamente, uma nova forma mais republicana de se praticar o poder impedirá que a Ultra direita venha mais forte com algum populista montado nessa cadela que é o fascismo, sempre no cio que, de tocaia, aguarda salivando o momento de transformar esse país em uma ditadura.
__________________________
– Professor Dagoberto Alves de Almeida – Professor Titular em Gestão da Produção – UNIFEI. Reitor eleito e indicado da UNIFEI nos mandatos 2013-16 e 2017-20
____________________________________________________________________
