Essa tal cavadinha…Blog Mário Marinho

Em tempos idos e vividos, lá em Beagá, Cavadinha era o nome que se dava a uma jogada criada pelo técnico Yustrich (Dorival Knipel, nascido em Corumbá, 28 de setembro de 1917 e falecido em Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 1990) que deu muitas vitórias ao time que ele comandava, o meu América.
Yustrich era conhecido também como Homão, graças ao seu 1,90 m de altura, o que o transformava num quase gigante naquela época.
Além disso, tinha o seu temperamento explosivo que o levava a mudar de times constantemente.
A jogada era a seguinte: o ponta invadia a área adversária, até quase a linha de fundo. De lá, cruzava rasteiro, para trás, pegando o atacante de frente para o gol, com amplas possibilidades de marcar.
Anos depois, em 1994, aparece no Guarani o Djalminha, filho de Djalma Dias, um dos grandes zagueiros da Seleção Brasileira, e inova na cobrança do pênalti.
Ele explica:
– Muita gente achava que eu queria humilhar o goleiro. Mas não era nada disso. Como o goleiro, quase invariavelmente, tenta adivinhar o canto e seu joga, o gol fica livre. É só tocar no meio que é gol sem erro.
Mas até hoje a cavadinha tem aquela cara de quem está humilhando. É como dar uma caneta: nenhum jogador fica bem depois de levar uma caneta.
Como bem definiu Djalminha:
– O pênalti cobrado na cavadinha te transforma num herói, se a bola entra. Ou num vilão se você perde.
Quem não se lembra da cavadinha do Pato, jogando pelo Corinthians, contra o Grêmio que tinha no gol o Dida?
Veja:
https://youtu.be/rsipy9_mK_o?si=4NvyJG_1hXtSL62w
E esse pênalti perdido eliminou o Corinthians da Copa do Brasil daquele ano.
É óbvio que estamos aqui nos lembrando de Yuri Alberto no jogo contra o Flamengo.
O artilheiro do Corinthians bateu mal. Na verdade, ele errou, pois o goleiro do Flamengo defendeu já deitado.
Se ele acerta a cavadinha para o meio do gol, a bola entraria.
Veja a cobrança:
https://youtu.be/S2TSJsJIbQY?si=NOo88zIdDP_qaObJ
É bem verdade que depois Yuri Alberto marcou um golaço, empatando o jogo. Não adiantou muito: o Flamengo fez o segundo e venceu o jogo por 2 a 1.
Mas, como alertou Djalminha, é tudo ou nada. Vilão ou herói. Ou como se diz nos jogos de truco: é calça de veludo ou bunda de fora.
Veja, a seguir, um show de horrores nas cobranças de pênaltis.
https://youtu.be/rXSsXVsAtRQ?si=s-RyX1CYlB9bpLWn
O Amigão
se foi.

Ele foi exatamente isso: o Amigão.
Amigo de todo mundo.
Excelente caráter, ótimo profissional, amigo para todos os momentos. Assim foi Paulo Soares que morreu ontem, aos 62 anos de idade.
Formou excelente dupla, na ESPN, com Antero Greco que também saiu do jogo precocemente, há mais ou menos um ano.
Estão juntos agora e devem estar se divertindo.
Você merece, Amigão!
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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