O mais antigo problema do futebol. Blog Mário Marinho

Desde 1863, quando as 13 primeiras leis do futebol foram criadas em Londres, o futebol começou a se ver diante de um problema que perdura até os dias de hoje, quase 200 anos depois: a arbitragem.
Criaram-se as leis. Mas quem iria aplicá-las?
Convencionou-se que caberia aos dois capitães dos times envolvidos no jogo decidir o que seria certo ou errado.
Pouco depois verificou-se que isso não estava dando certo.
Criou-se então o árbitro de futebol, dois em cada jogo, que atuaria fora das quatro linhas.
O passo seguinte foi transformar esses dois em auxiliares (que mais tarde seriam chamado de bandeirinhas), enquanto dentro de campo um árbitro tomaria as decisões.
Para facilitar a comunicação com os jogadores, deram-lhe um apito.
Isso ocorreu em 1878.
As 13 regras se transformaram em 17 que estão valendo até hoje.
Em 1970 surgiram os cartões amarelo e vermelho para facilitar a comunicação do juiz com os jogadores, com o público e com a imprensa.
Em 2016, entrou nessa história o VAR, sigla inglesa que significa “Video Assistent Referee” ou Árbitro Assistente de Vídeo.
Que, teoricamente, apareceu para eliminar dúvidas, para corrigir erros. Para evitar polêmicas.
Mas não aparece ter atingido a sua meta.
Há alguns anos, o excelente árbitro Sálvio Espínola, em um curso sobre regras de futebol e arbitragem ministrado na sede da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), disse:
– Quando eu entrava em campo para apitar uma partida, olhava para os jogadores e me vinha a certeza: são 22 pessoas torcendo contra mim.
E é verdade.
O jogador é o primeiro grande culpado: ele passa o jogo inteiro tentando enganar o árbitro.
Se o juiz apita um lateral sem grande importância, logo é cercado pelos jogadores do outro time que querem o lateral a seu favor.
Se for uma falta, mesma coisa.
Fora de campo, lá do meio do público, também vem forte pressão.
O torcedor está pouco se lixando se o cara que marcou o gol estava impedido ou não: ele quer a validade do gol.
Ganhar daquele rival com gol ilegal é melhor ainda, comemora o torcedor.
Como é que o juiz não viu aquele pênalti claro?! Se espanta o torcedor do São Paulo naquele jogo contra o Palmeiras. E o VAR, onde estava, pergunta ele, aflito?
Quê pênalti? – pergunta o torcedor do Palmeiras.
A CBF viu que o pênalti existiu e até afastou o árbitro de campo e o do VAR.
Mas o mal já estava feito.
Atualmente, a CBF está promovendo um grande curso de reciclagem para os árbitros da elite do futebol brasileiro.
O que é absolutamente necessário.
Se vai dar bons resultados, só o tempo dirá.
Fala-se muito em profissionalização da arbitragem, como acontece em muitos países da Europa.
Mas será que funciona?
O Fantástico da Globo mostrou matéria, nesse domingo, que os problemas diminuem, mas não acabam.
Não vai acabar nunca, porque o futebol é movido a emoção, a muita paixão – e, claro, existem também os interesses.
Mas é bom saber que medidas estão sendo tomadas, pessoas estão sendo qualificadas, existem leis – e leis rigorosas – para tentar dar ao tão querido futebol a proteção que ele merece e exige.
Vamos todos
Acordar bem cedo.
Sim, porque amanhã, 14 de outubro, às 7h30 da matina, a Seleção Brasileira estará em campo em busca do tempo perdido para encontrar o melhor caminho para a Copa do Mundo do ano que vem.
A última impressão foi excelente.
Sim, claro, sei que o adversário era bem fraquinho.
Mas vimos um time em campo com espírito de Seleção como há muito não tínhamos neste nosso amado futebol brasileiro.
E, penso eu, o primeiro passo para a transformação de um time numa grande Seleção, é conscientizar seus jogadores que a Seleção é Grande, é maior que eles.
Defender a Seleção não é um favor, mas uma honra.
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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Sobre a questão da arbitragem, pergunto: já assistiu algum jogo de rúgbi? Os brutamontes não reclamam da arbitragem. Por que são tão educados?