Ilustração: Benjamim Cafalli
Implicâncias #8: dicionários do Brasil, socorro nesse dia a dia!

A história se repete, sempre como trágica comédia. Seguiu o #7 na quinta de madruga, começou a leitura e logo em seguida surgiu material pro #8…
Na quinta:
É, nele mesmo, “Estadãozinho”: “O empregado formal implica em FGTS, férias, 13.º salário e alguns outros benefícios,”. Não, colaborante, sem “em”.
Mais à frente, um escriba escapou do erro fatal mas cometeu um da espécie dããã: “O desabamento ontem do mezanino do restaurante Jamile, que tem Henrique Fogaça como chef, deixou uma vítima, Suênia Maria Tome Bezerra, de 57 anos, e outros cinco feridos.”. Ele não usou o fatal por achar que vítima é sinônimo de morta… A prova? Está em “outros cinco feridos”. Tá feia a situação. “Causou uma morte, a de S, e deixou cinco feridos”, claudidãããte.
Vixi santa! “O alerta foi feito à Coluna pelo diretor executivo do Instituto SOS Pantanal, Leonardo Gomes. Para chamar à atenção para esse problema,”. A falta do hífen é pecado venial comparado ao mortal da crase! De novo o tracinho faltante: “Renata de Almeida é diretora executiva da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”. Caramba, mau sinal, é na coluna que salva o jornal no caso da Assembleia Geral… Será que acertaram “errando”?
Mein Gott, onde isto vai parar? O título do uólico: “CBF divulga áudios do VAR de São Paulo x Palmeiras: ‘Escorregão acidental’”. O que o varzeiro disse: “Ramon, é justamente isso que você narra, ok? Tem o jogador do Palmeiras que escorrega e esse contato com o atleta é acidental, é uma bola saindo da área. Tem claramente um escorregão”. Cara-pálida, o contato é que foi acidental, não o escorregão! A continuar assim a santa padroeira vai pedir demissão!
Também lá: “Corpo da vítima será transportado para a Paraíba assim que for liberado pelo IML (Instituto de Medicina Legal)”. Não, atento e sagaz desinformador, é Médico-Legal.
No g1:“Dono de Porsche suspeito de atear fogo no próprio carro se feriu em incêndio e polícia aguarda saída do hospital para depoimento”. Já o geúnico ateou fogo à Gramática… O que será que aguarda para aprender?
Eta nós, na “Folha”: “Numa reunião social em agosto, Gilmar Mendes disse que sua escolha para a próxima cadeira no Supremo seria o do senador,”. A escolha seria o senador ou a do senador, atrapalhado disconcordante. Melhor ainda, o escolhido seria, viste?
Atenção à realidade, uólico: “Rússia usa navios ‘fantasma’ para escoar produtos e despistar sanções”. “A frota fantasma da Rússia é uma rede clandestina de petroleiros,”; “(…), o uso de seguradoras “fantasmas” e as transferências de cargas entre navios em mar aberto,”. Não tem no “Uáiss”, no “Orélio”, mas tem no “Volp” e é ele que manda! Navio-fantasma. Entonces, por semelhança, hifens reais em todos os fantasmas.
Tsk, tsk. tsk:“Na reação dos PMs, dois dos homens foram baleados e morreram. Um terceiro suspeito de 26 anos foi preso na rua Macunaíma. O quarto envolvido fugiu, segundo a Secretaria da Segurança Pública. O detido, conforme a pasta, confessou ter participado da ação que matou Xavier.”. Confessou e continua suspeito…
Aqui termina o primeiro dia do #8…
E aqui começa o segundo, sexta:
No UOL: “Maria Corina Machado, opositora venezuelana, vence o prêmio Nobel da Paz”. É María, uólico! Alguém acentuou no título e no texto pouco depois. Mas sobrou erro no texto:
“María Corina Machado, opositora venezuelana, vence o prêmio Nobel da Paz de 2025. Ela é uma das principais vozes contra o presidente Nicolas Maduro.”. É Nicolás, uólico. Xiii, olhem o brogue fazendo escola na caixa: “O Prêmio Nobel da Paz de 2025 vai para uma corajosa e comprometida defensora da paz”… “Ela está recebendo o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela”. Duas baixas e duas altas. Empatou!
Em todas as matérias seguintes houve os problemas, falta de acento em María e Nicolás. Os erros eram cometidos, corrigidos e repetidos.
Duas tragédias, o fato e o texto: “O homem passou mal após comer uma feijoada envenenada. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não sobreviveu, conforme informou a secretaria de saúde da cidade”. Uólico, conta para os leitores o nome do “Pai dos Burros” em que consta socorrer e levar como sinônimo, conta?
A “informação” é o mais puro nonsense, é um festival de teria, seria, eteceteria, haja vaselina. Pra quem quiser perder tempo confirmando: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2025/10/10/filha-presa-suspeito-de-envenenamento-do-pai-com-feijoada.htm
Gentem, não é só vaselinice, é QI de ostra! “O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), venceu uma ação contra o hospital Santa Lúcia, em Brasília, pela morte de um filho dele em 2012. (…). Ele fez uma homenagem ao filho no Instagram, com a imagem de um peixinho, apelido do garoto. Na época, Marcelo tinha 13 anos e, segundo Dino, teria falecido devido ao “péssimo atendimento” do hospital, que é um dos mais conhecidos da capital federal.”. Ô, uólico, quer dizer que ele ganhou a ação em razão de um fato que “teria” acontecido e não que realmente ocorreu? Vitória na base de uma hipótese não comprovada? Dããã…
Tô falando que o caso é mais grave, é QI de ostra… “A medida foi adotada após relatos de que um produto adesivo, supostamente ecológico, aplicado na murada de uma residência, teria aprisionado e ferido diversas aves, incluindo pássaros silvestres. Dezenas de animais ficaram presos na cola e morreram devido à exaustão ou aos ferimentos”. Repare, paciente leitor: “teria aprisionado” e “Dezenas de animais ficaram presos na cola e morreram devido à exaustão ou aos ferimentos”. Como é possível que tenham sido aprisionados se teriam sido? O camaradinha não percebe a impossibilidade?
Este, na “Folha”, é uma pérola: “Acho que em 2013, [a primeira construtora] que cometeu bastantes erros,”. Erros suficientes, cara-pálida? Muitos erros, bastante erros, caramba! Trata-se de fala de um arquiteto! E o escriba, provável desconhecente não trocou por muitos nem lascou um [sic], o que significa…
A bobagem da concordância por proximidade! Lá também: “Ao final do ensino fundamental, só um quinto dos estudantes apresentam uma aprendizagem adequada nessa área”. Um quinto vira plural! É que nem 10% da população vai… Caramba, a referência é a um quinto, singular, 10%, plural. Isso é uma espécie de “a gente fomos” com referenda gramatical.
“Folha”: “Funcionária fantasma em gabinete de Motta acumulou salário na Câmara com o de médica em prefeituras”. Por semelhança com a nau, hífen nela. E algemas.
Mais inhorância folhística: “Pouco depois foram surpreendidos por um assaltante, por volta de 1h40, no km 56 da rodovia.”. Da 1h40. uólico.
No “SP1”: “A família espera que os responsáveis sejam responsabilizados”. Uau, Prêmio Jabuti 2025!
Não é implicância, é espantância! Por que a mania do “X a Y neste – quando não nesse… – Z set, ou tempo, se é o que está sendo mostrado, caramba???
Terceirão… sábado:
Que dificuldade de ligar lé com cré: “A atriz foi um dos nomes que defendeu Woody Allen, 89, de acusações de estupro.”. Dificultoso uólico – tem metanol? –, entre os nomes dos que defenderam WA estava o dela, viste?
Eles não são ótimos? Na capa: “Pedágio praiano: cobrança para carros de turistas se espalha pelo Brasil”
Aberto o link:

Estadônicozinhos: Não, cara-pálida: “Não posso estar melhor acolchoada para deitar em cima dessa cama que foi feita pelo Chico.”. Mais bem, viste?
Eta nóis: “A receita ideal levava apenas tapioca, leite, queijo coalho e uma pitada de pimenta-do-reino branca.” . Aqui tem posse, meu. É queijo de coalho.
Eta nóis 2: “Teatro Municipal. Pça. Ramos de Azevedo, s/nº. 6ª (10), 20h; sábado (11) e domingo (12), 11h e 17h. R$ 11 a R$ 92”. Com agá, atento escriba! Por que errou se acertou mais abaixo em um bem mais novo? “Theatro São Pedro. R. Barra Funda, 171. Sáb. (11) e dom. (12), 11h. R$ 72”.
Uma mancada global n’“O Globo”! “Os melhores restaurantes árabes, armênios e israelenses de São Paulo de 2025” Judaicos, cara-pálida!
No brogue:
Decida-se, jefe: “Paulo Schiller, que traduziu Lázsló Krasznahorkai, prêmio Nobel de Literatura, é autor de ‘A paixão pela mentira’”
“Ao contrário do que saiu aqui, ‘A paixão pela mentira’, editado pela Todavia, não é do húngaro László Krasznahorkai — o autor de Sátántangó, que acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura”. Prêmio ou prêmio? Ao contrário, não, diferentemente, jefe. E, epa, Lázló ou László, jefe? É Las…
“Dia das Crianças: Pesquisa aponta o que os pais querem dar de presente para os filhos”. Jefe, pesquisa em bx, viste?
“Sete em cada dez buscam brinquedos tradicionais para as crianças e querem vê-los longe das telas”. Jefe, tenha dó! Crianças, vê-las.
Caramba, jefe, nem a História conhece mais? “(…), voluntariamente à sede do DOI-CODI paulista para prestar esclarecimentos sobre ligações com o PCB,”. DOI-Codi!
“Pacto do Horto: Chega ao fim um dos maiores conflitos urbanos do Rio”
“Será assinado um acordo coletivo que garante a permanência de 621 famílias na regão— alvo,”. Que tristeza, jefe… chega… região…
Que lindo, mistake! “(…), seus pais definitivos que tb adotaram a irmã dele.”.
“Plano Funerário vai indenizar família por uso de morto como ‘garoto propaganda’ em anúncios de sepultura”. G-p, com hífen, jefe. Ainda tu: “A 13ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro negou o pedido do Ministério Público estadual”. Discriminação caixal? Federal em alta, por que Estadual em bx?
Quartão… domingo:
Eta gente possessiva! Folheiro, sem “de” desde a fundação: “O dia 8 de agosto de 1977 marcou um ponto de virada para os estudantes de direito da USP, no Largo de São Francisco.”. Errado umas dez vezes. Serve pra você?
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Largo São Francisco
Geúnico, cadê o dê em deles?“As vítimas são Murilo Vinhal e Idael Farias. Um professor que estava junto eles ficou ferido e conseguiu chegar até a margem para pedir ajuda.”
Uólico, “no” por dois motivos: “Amigos morrem após serem atingidos por raio durante pesca em Tocantins”. Foi no Rio Tocantins no estado do Idem, viste? Errado várias vezes ao longo do texto.
O Info que desinforma…

O perspicaz creditador não notou que a estrela do filme é Zezé Motta, a que faz o papel de Xica da Silva.
No “Dãozinho”: “Os dados constam de um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).”. Sem acento, atento escriba. Sem de, possessivo digitador: “(…): a abertura de uma estação de metrô na frente do Parque do Ibirapuera.”.
Quintão… segunda:
g1 brilha! “Influencer e filha são achadas mortas em apartamento no Rio” “Vítimas tinham 15 e 33 anos”. Barrabás, milagre da natureza, mãe com 15, filha com 33! Eta T&T em coma, hein? Respeite a ordem, caramba.
Inhorância, aqui me tens de onde nunca saí: “Trump assina cessar-fogo em Gaza junto a líderes árabes após Hamas libertar reféns”. Sorry pelo cacófato, mas é histórico. Junto de, geúnico, a única forma aceita pela ABL. Tempo depois trocaram por um decente:“Sem Israel e Hamas, Trump assina cessar-fogo e diz que 2ª etapa do acordo já começou”.
Uau, chegou ao “SP1”: “Graças a Deus não houve mortes e os feridos foram socorridos aos hospitais da região”. Viva! O cara-pálida deve achar que “foram levados nos…”
No brogue:
“A justiça negou o recurso do município do Rio de Janeiro que buscava indenização material do Vasco da Gama por dano ambiental com o corte de seis árvores na sede náutica do clube,”. Por que Justiça em bx, jefe? Tá tão ruim assim no RJ?
Colaborante novo no brogue: “Entre as atividades, o Instituto LACLIMA promove o seminário “Transições Justas em Movimento”, em parceria com a Universidade de Brasília, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos e o ACNUR Brasil.”. LACLIMA errado na origem, Acnur errado no Brasil.
Come”ç”emos o sextão, terça:
No “Estadãozinho”, em uma deliciosa seção: “Frite em óleo quente (cuidado para não queimar), escorra em papel toalha e reserve.”. Grande gastrônoma, com hífen o papel-toalha absorve melhor, viste? Segue o enterro da Gramática: “Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil,”. Hífen, caramba! Os “incansáveis”… “A corrida está marcada para às 16h (horário de Brasília) do próximo domingo.”. Apressadinho, começará às 16h ou marcada para as 16h… Acha que existe a (para) a as?
Este erro está quase sempre em todos os jornais, raramente um acerta. No caso, no “zinho”: “Gol anuncia plano para sair da Bolsa brasileira”. Está nas páginas, não nas alturas, é só olhar pra cima e, voilà, GOL! No site da aérea também.
No brogue, só li esta, sem luz “neste” hoje, poupei a bateria:
Eita, jefe: “Segundo a juíza, a artista teria firmado o contrato “por livre, consciente e espontânea vontade”, não sendo possível cogitar qualquer violação por parte da editora.”. A juíza decidiu mas só teria, não teve certeza em relação aos fatos?
Ultimão, quarta:
Contribuição inestimável de um folhístico: “Até o fim do horário de funcionamento, às 00h,”. Um chopes e dois pastel, o Retorno! Ele deve ser daqueles do “zero chances”…
Na capa do g1:“Presidente dos EUA adiantou um dos pontos que deve ser tratado…”. Pelo jeito, no outro sentido, não adiantou que o escriba fosse à escola. Um dos pontos que devem ser tratados, dificultoso.
É no g1, mas é vício generalizado: “Ela estava junto com o pai, que não se feriu.” . Estava com o pai ou junto do pai, o único junto certo. Quase não implico mais, não adianta e me irrito …
Ih, o capista do g1 será um deles? “Alera na Saúde: Brasil tem 41 casos confirmados de intoxicação por metanol”. Desatento, é alerta, viste?
“Estadãozinho, é falta! “Alviverde terá seu atacante titular hoje no Allianz Parque; timepega o Red Bull Bragantino e tenta a 4.ª vitória seguida”. Timepega dá até cartão vermelho, meu! Separa aí!
No CNN Brasil: “Escolheu nove ministros homens”. Nenhum ministro mulher, caramba? Que discriminação! Cara-pálida, “Escolheu nove homens para o ministério” viste?
Como não poderia faltar, o brogue!
Viva a mistake, a infaltável! “(…), a Choperia Gehren é conhecida por unir a tradição germânica à culinária brasileira, com destaque para os pratos típicos — como linguiças artesanais, petiscos variados, pizzas…”. Pizza, culinária brasileira!!!
Surgiu um partícipe vaga-lume, aparece de vez em quando e some: “Estacionamento irregular lidera ranking de reclamações de serviço da Prefeitura”. Pref em alta no título. “(…), portal da prefeitura do Rio,”. Em bx no texto. “Haja paciência para tanto carro fora e seu devido lugar.”. Ih, falta um dê no seu devido lugar…
The anonymous paleface rides again: “A Procuradoria Geral do Município do Rio finaliza as tratativas com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a realização do 9º Concurso para a carreira de Procurador do Município do Rio. O regulamento já foi disponibilizado e o edital deve ser publicado neste mês de outubro. A FGV também irá apoiar a realização do 4º Concurso para Procurador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro que terá parte das provas em comum com o concurso para Procurador do Município.”. PG sem hífen está na origem, nada a fazer. Reza o velho adágio “Na FGV Getulio não tem acento e assento”. Por que concurso e procurador em alta? Mais abaixo tem sentido pois está o nome completo. Digitais da…
“.Os 80 anos das Nações Unidas estão sendo celebrados no festival Clássicos do Brasil, que segue nos próximos dias 18 e 19/10,”. Segue por que se não começou? Acontece, ocorre, viste? Ou terá lugar, como escrevem os “sostificados”…
(CACALO KFOURI)

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