Woodstock Mineiro: a Apoteose de Milton Nascimento. Por Cosme Maurício
O relato de hoje é um acontecimento que colocou Três Pontas no cenário dos grandes festivais, uma série de shows que ficou conhecido como “Woodstock mineiro” ou “show Paraiso” em 1977…

A biografia de Milton Nascimento é extensa, carioca, criado por uma família adotiva em Três Pontas (MG), sofreu com o preconceito, a ponto de não poder frequentar o único clube trespontano. A resiliência e o amor da família levaram-no a música e o resto nós conhecemos, o mundo conhece, afinal como próprio verso diz “sou do ouro, sou Minas Gerais”.
O relato de hoje não é especificamente sobre a biografia do Bituca, confesso que ainda não sou capaz de elaborar uma tão refinada quanto as divulgadas por Márcio Borges e nem serei, afinal Márcio fez parte da história de Milton. O relato de hoje é um acontecimento que colocou Três Pontas no cenário dos grandes festivais, uma série de shows que ficou conhecido como “Woodstock mineiro” ou “show Paraiso” em 1977.
O Brasil da década de 1970 não era uma país fácil para reunir multidões, o governo brasileiro da época era militar e toda forma de manifestação, ainda que cultural, era severamente vigiada. Alguns acontecimentos driblavam esta vigilância, como os festivais de Guarapari (1971, ES), de Águas Claras (1975, SP), de Saquarema (1976, RJ) e o de Três Pontas (1977, MG).
O festival contou com presença de Clementina de Jesus, Wagner Tiso, Gonzaguinha, Beto Guedes, Fafá de Belém, Francis Hime e talvez Lo Borges, digo no condicional porque o próprio Lô não se lembra de ter ido ao festival. Coisas de músico….
Nelson Motta fez a cobertura do show e constatou, o que não seria diferente, Milton Nascimento muito emocionado por ter levado um espetáculo desta envergadura para sua amada cidade de Três Pontas.
‘Por alguns dias a cidade do sul de Minas pôde “respirar “e contemplar música de grande nível como as grandes cidades do Planeta.
Sobre o Festival há um filme do Arquivo Nacional apresentando trechos dos shows, Clementina emociona o público cantando “Circo Marimbondo”, Chico Buarque e Milton dividem o palco e ao fundo aparece Fafá de Belém, sem dúvidas um retrato musical da época do clube esquina e seu jeito mineiro de se soltar na estrada.
COSME MAURÍCIO DE JESUS – Formado em Administração de Empresas pelas faculdades Oswaldo Cruz; em História, pelo Centro Universitário 9 de julho e estudante de geografia. Pesquisador sobre música, mantém o Canal Resenha e Música no YouTube , onde apresenta LPs e as suas pesquisas.

Belo resgate dessa página esquecida. Mais uma boa lembrança da história de nossa música.