Mengo, tu és o Maior! Blog Mário Marinho

Nos meus sete/oito anos de idade morei um ano no Rio de Janeiro.
Em minha casa, o rádio ficava ligado direto na Rádio Nacional, uma espécie de TV Globo da época.
Havia um programa que eu ouvia toda sexta-feira: o “Balança, mas não cai” que era da Rádio Nacional. Vez por outra eu conseguia mudar o rádio e ouvir “Miss Campeonato”, um desfile cômico com o noticiário dos times cariocas, apresentado na Rádio Mayrink Veiga.
Daí minha dúvida se era na Nacional ou na Mayrink Veiga que me deixei levar pela força da afirmação “Mengo tu és o Maior”, dita com fé pelo personagem carioca.
O certo é que eu acreditava na força do personagem e na sua manchete de toda semana e me tornei flamenguista.
A paixão durou o ano em que morei no Rio.
De volta a Belo Horizonte, voltei à minha paixão: o América mineiro.
Às vezes, me espanto com a velocidade que passa o tempo. Daqueles sete/oito anos aos 82 de hoje, sinto que não se passaram nem 50 anos.
Mas o calendário, esse ser frio e sem coração, insiste em me afirmar que se passaram setenta e quatro/cinco anos. Fazer o quê?
Vamos em frente.
Até o dia 28 de novembro passado, havia no ar uma dúvida: quem é o melhor time do Brasil: Palmeiras ou Flamengo?
No dia 29, em Lima, Peru, os dois entraram em campo para decidir não só quem é o melhor do Brasil, como também da América.
Não resta, agora, a dúvida: é o Flamengo.
E eu volto aos tempos daquele menino de sete/oito anos, para ouvir o velho bordão: “Mengo, tu és o maior!”
A vitória do Flamengo foi incontestável.
Eu sei que alguns palmeirenses mais apaixonados vão lembrar o lance da agressão de Eric Pulgar sobre o zagueiro Fuchs. E vão reclamar que o flamenguista deveria ter sido expulso.
E com razão.
A entrada do flamenguista foi criminosa e cometida com o jogo já paralisado pelo juiz. Qualquer outro juiz com a cabeça no lugar expulsaria.
Mas será que isso mudaria tanto o jogo?
Eu acho que não.
Calma, meu amigo. Eu não sou nenhuma Mãe Dinah para adivinhar o futuro.
Mas um time que jogou sem criatividade, sem ousadia, sem determinação como foi o Verdão, dificilmente mudaria.
O Flamengo jogou soberbo, dono da situação, autêntico Campeão.
Título merecido.
Vem aí:
o Brasileirão.
O campeonato mais difícil do mundo do futebol, volta aos campos já amanhã, em sua penúltima rodada, a 37ª, que pode até definir o campeão por antecipação.
E quem seria esse campeão?
Flamengo, claro.
A equipe esportiva do UOL me lembra aqui que o Palmeiras está há 603 dias sem ganhar um título.
A última conquista com o técnico Abel Ferreira foi o Paulistão de 2024, no dia 7 de abril. Claro que ele ainda pode levar o Brasileirão, pois matematicamente há chances, mas ele próprio não acredita e já jogou a toalha — são 5 pontos de diferença para o Flamengo, faltando apenas duas rodadas.
O primeiro ano sem conquistas da Era Abel coincide com a temporada que o Palmeiras mais investiu em reforços: quase R$ 700 milhões, recorde do clube.
O líder do Brasileirão é o Flamengo, com 75 pontos.
É seguido pelo Palmeiras que tem 70 pontos.
Isso significa que se o Mengão empatar com o Ceará, nesta quarta-feira, 3, no Maracanã, será o campeão.
O Palmeiras não alcançará mais o Mengão, nem o Cruzeiro, que faz ótima campanha de recuperação, mas tem apenas 69 pontos.
Portanto, o título está perto, muito perto, do Flamengo.
Mais uma oportunidade para ouvir o bordão:
“Mengo, tu és o maior!”
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Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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