Abel Ferreira
Abel, 2015 dias. Blog Mário Marinho
Abel, 2015 dias

Quando aceitou o convite para dirigir o Palmeiras, em 2020, ele avisou à sua família que, por seu conhecimento do futebol brasileiro, certamente não ficaria por mais de três meses.
Ele estava certo: o brasileiro é imediatista. E o torcedor de futebol ainda mais: se o time não é campeão, exige sua troca imediata.
Estava certo, mas errou.
Neste dia 27 de abril, Abel Fernando Moreira Ferreira, um ex-lateral direito de parcos recursos no futebol português, está completando 2015 dias à frente do Palmeiras.
Abel se acertou no time do Palmeiras de uma forma que ele jamais imaginaria.
Ele não sabia, mas o Palmeiras, que sempre viveu de turbulências em sua administração, vinha de uma nova política, de seriedade e austeridade, que começou com Paulo Nobre, passou por Maurício Galiotte e está agora sob o comando de Leila Pereira.
Esse foi o novo Palmeiras que recebeu Abel Ferreira.
Polêmico, mal-humorado, turrão, indisciplinado (principalmente com juízes) – Abel é tudo isso, mas um vencedor.
Na era Abel, os números são inquestionáveis:
– 423 jogos;
– 249 vitórias;
– 97 empates;
– 77 derrotas.
Marcou 717 gols e sofreu 341.
E, o mais importante: conquistou 11 títulos:
– 2 Libertadores;
– 2 Campeonatos Brasileiros;
– 1 Copa do Brasil;
– 4 Paulistas;
– 1 Recopa Sul-Americana;
– 1 Supercopa do Brasil.
Abel Ferreira ainda não é o técnico que mais dirigiu o Palmeiras. Ele perde para Osvaldo Brandão que comandou o Verdão por 562 jogos – porém, com diversas passagens entre 1945 e 1980.
O técnico que ficou mais tempo dirigindo o mesmo clube no Brasil foi Amadeu Teixeira que durante 53 anos dirigiu o América do Amazonas: foi no período de 1955 a 2008 (ele faleceu em 2017).
Outros técnicos longevos:
– Lula, Santos, 12 anos e 7 meses. De 1954 a 1966.
– Henry Welfare, inglês naturalizado brasileiro que dirigiu o Vasco por 10 anos e 7 meses, cm 3 passagens entre 1926 e 1943.
– Flávio Costa, Flamengo, 8 anos.
Desde que Abel Ferreira chegou ao Verdão, o Flamengo teve 10 técnicos; o Corinthians, 11; o Santos 15; e o São Paulo mudou de técnico 8 vezes.
Mas do lado oposto dos longevo há também os rápidos.
O caso mais curioso foi o do jogador Júnior, hoje comentarista da Globo, que foi contratado pelo Corinthians, em 2003, e durou apenas 13 dias.
Após duas derrotas por 3 a 0, ele pediu demissão e voltou ao Rio de Janeiro.
Tempos depois, ele argumentou que os dirigentes corintianos lhe prometeram uma estrutura que não existia.
Nosso
Brasileirão
Para variar, o Palmeiras ganhou mais uma: 1 a 0 em cima do Bragantino (e também para variar, gol de Flaco Lopes), mantendo a liderança do Brasileirão com 32 pontos em 13 jogos.
Em segundo está o Flamengo, com 26 pontos em 12 jogos.
Ou seja: nada de novo na rodada do Brasileirão.
Aliás, também como não é novidade, o André do Corinthians foi expulso.
Na Roma antiga, o imperador César, indignado, perguntaria: “Quosque tandem”. Ou seja: até quando ele vai ficar prejudicando o seu time e os companheiros que tiveram que se desdobrar para garantir a vitória, 1 a 0, sobre o Vasco, que tirou o Timão da escorregadia Zona do Rebaixamento?
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?” – era a pergunta que os senadores faziam ao companheiro Catilina por conta de seus discursos intermináveis e cansativos.
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi
durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
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