Ilustração: Benjamim Cafalli
Intolerâncias |27: para lembrar que escrever é a arte de cortar palavras
Escrever é…

O famoso “Escrever é a arte de cortar palavras” passa longe dos costumes dos escribas atuais, adoram o excesso. Pra que “nesta” quinta-feira (18) se o dia da semana é seguido pelo do mês? Pra que “cinco pessoas morreram e ‘outras’ duas ficaram feridas” se é óbvio que são outras se as primeiras morreram?. Às vezes, fazem até pior: “Um homem morreu e outras duas mulheres ficaram feridas”. Exemplo? No “Estadãozinho”: “Desde que o processo judicial foi revelado pela Coluna e Xaud foi eleito para o comando da CBF, em maio do ano passado, a ação pouco andou: só teve movimentações irrelevantes, concentrando-se apenas em diversas tentativas de intimar outras duas rés.”. Xaud é homem, por que “outras duas rés” se ele é réu? Agora, a obviedade na “Folha”: “A Sabesp anunciou nesta segunda-feira (15) a demissão de dois funcionários e a suspensão de outros sete”. Não é óbvio que foram “outros” se os “outros” foram demitidos???
Aforamente que é raro um que saiba quando usar este ou esse. Um exemplo? Texto no UOL: “Essa é a primeira Copa em que a população brasileira vai poder apostar e os grandes anunciantes de todas as transmissões são justamente as casas de apostas”. Esta, caramba, a atual! Ah, seria covardia citar o errador…
Parece que os estadônicozinhos criaram o “Vocabulário Errográfico da Imprensa Brasileira”, o “Veib”. Além de campus com o indevido guarda-sol, o hífen em Assembleia Geral, a falta dele em diretor/a-executivo/a e diretoria-executiva (cinco vezes sem nesta edição do “Intol”), a variante extrema direita, uns poucos acertam sem o tracinho. E, pelo jeito, resolveram abolir de vez o obrigatório agá em Theatro Municipal. Ironicamente, naquele brogue em que o erro era constante a turma tomou tento.
A seguir, os demais erros demais: ““Eles começaram a botar fogo nos carros com coquetéis molotov.”. Um deve ter botado no “Volp” da redação se é que alguma vez teve um. Cara-pálida, coquetéis-molotovs desde janeiro de 2009, viste? Ah, lá tem “Veib”…
Não aprendem esta nem a poder de reza: “Uma das profissionais que atua no Mogi-Mater informou à Polícia Civil que assumiu o plantão às 19h de 4 de maio,”. Estadônicozinho, inverta: das profissionais que atuaM ela é uma…
Deve ter sido obra do editor, não do autor… “Queria ser médica cirurgiã,”. Falta o bisturi, cara-pálida.
Secretaria pisca-pisca, não é só entre os estadônicozinhos, é problema generalizado: “De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP),”. É dA, escriba.
Dá nele, hífen! “E, na imprensa americana, jornalistas da ESPN, em formato de mesa redonda,”. Tem hífen, cara-pálida. Dá nele 2, hífen! “Nas últimas semanas, a influenciadora de extrema-direita Laura Loomer”. Não tem, cara-pálida.
Fantástico! Superaram-se! “Um vereador propõe uma emenda de R$ 50 mil para fazer calçamento numa rua e não dá para fazer a obra em uma rua de mil metros de cumprimento.”. É assim: os trabalhadores ficam de um lado da rua, os vereadores, do outro. E vão trocando apertos de mão ao longo dos mil metros! Comprimento, estadônicozinho!
Nããooo, folhal: “e Lucas Petroni, professor de ciência política na FGV (Fundação Getúlio Vargas).”. Getulio não tem acento na FGV.
Folha, mesa redonda sem hífen é outra coisa: “”Ah, mas ele não joga o mesmo na seleção”, ruminam nas mesas redondas e esquinas da internet.”. É só um móvel, aquelas à que se refere tem hífen.
Epa, opa, confundiu alhos com bugalhos… “Serve almoço-executivo.”. É pra diretor-executivo? Tirotraço!
Cozinheiro folhísta distraído: “Coxinha da asa à coreana: 500 g de coxinha da asa de frango; Asse as asinhas por 25 a 30 minutos,”. Ué, e as coxinhas?
No caso, deve ter sido o editor folhal, o folhísta é dos bãos: “(…), ministros do Supremo, todos superbem informados,”. Ele é um dos superbem-informados.
Matar aula de Geografia dá nisto: “Uma mulher morreu na manhã deste sábado (13) durante atividade de “rope jump” (salto com corda) na Ponte do Esqueleto, na divisa de Limeira com Cordeirópolis,”. Limite, folhal, limite! Divisa é entre estados.
Confesso, folhísta, desde segunda (15) tento decifrar a frase: “Para ele, nossos triunfos deviam-se a termos abandonado a restrição a negros que vigia também no Itamaraty”. Abandonada a restrição? Abandonando? Quem sabe, abanando…
Não é só o número, folhal: “O número chama atenção pela perda da Globo”. A falta do “a” também chama a atenção…
Geúnico inaugurante (atenção, escrevi inaugurante…): “A abertura também chamou atenção pela presença de dois bonecos Labubu”. Chamou a atenção também pela falta do “a” em chamou a atenção. O mesmo erro em outra: “Mascotes da Copa: animais ‘torcedores’ chamam atenção perto de estádio”.
Tem mais disputa, geúnico vs aquele brogue! “Uniforme da Seleção Brasileira vira motivo de disputa na campanha presidencia”. Cadê o ele que falta aqui, cara-pálida?
É inacreditável, um escriba que não sabe entender o que lê! “Dono de helicóptero envolvido em acidente no RJ foi autuado pela Anac em 2025”; “Segundo agência, homem teria recusado exibir documentos e informações aos agentes de fiscalização.”. Geniúnico, então a Anac autuou o dono sem ter certeza de que ele se recusou a exibir documentos e – e falta prestar ou dar antes de informações, viste? – dar informações, asi no más? Barrabás, tá grave a situação na emprença, como dizia Moacir Japiassu, o mestre dos intolerantes.
Um uólico sendo… um uólico: “A Secretaria de Segurança Pública disse que até a tarde desta quinta-feira (11)…” . Da, cara-pálida, da.
Não foram só assentos vazios, uólico: “A vitória da Coreia do Sul por 2 a 1 sobre a Tchéquia, em Guadalajara, chamou atenção pela grande quantidade de assentos vazios,”. Também chamou a atenção o conhecimento vazio…
Aqui não é culpa de algum uólico, o “adevogado” é ruim mesmo: “Em alegações finais, VossaExcelência, a defesa corrobora com as afirmações exaradas pela Promotoria de Justiça, nada mais.”. Pediu a condenação do cliente e assassinou o vernáculo: corrobora as, causídico.
Mein Gott, a inhorância uólica atingiu as raias do inacreditável! “Uma colisão entre dois helicópteros na manhã deste domingo deixou ao menos seis pessoas mortas e gerou um incêndio na região do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Vítimas são todas tripulantes das aeronaves envolvidas no acidente. Um dos helicópteros levava cinco pessoas e seguia em direção a Angra dos Reis. Ainda não se sabe se o grupo estava a passeio. No segundo helicóptero estava apenas o piloto, que seguia para abastecer a aeronave,”. Cara-pálida, tripulantes são os pilotos, os demais são passageiros, caramba! Dos seis mortos, dois eram tripulantes e quatro, passageiros. Aliás, se tivesse notado isso, é certo que escreveria “outros” quatro passageiros…
Que coincidência, uolístico! “Do outro, o IV Comando Aéreo Regional, o COMAR. No meio da contenda, um aeroporto.”. No meio da frase tem um erro, tem um erro no meio da frase! É Comar, viste?
Mesmo, flashuólico??? “Brasil abriu 1,59 milhões de MEIs de janeiro a abril deste ano”. Mas nenhum professor de Gramática abriu pra dar umas aulinhas procê, né? Escriba, 1,59 milhão, viste?
Não chega a ser o erro mais feio do mundo: “Tubarão ‘mais feio do mundo’ é filmado pela primeira vez em seu habitat natural”. Mas tá perto. Uólico, habitat é natural por definição, viste? É subir pra cima, descer pra baixo…
Xiii, estão virando “colaboradores” assíduos… J&Cia, J%Cia… “A iniciativa busca arrecadar recursos por meio de doações via PIX (campanha@abi. org.br) ou depósito bancário (Banco do Brasil – Agência: 19 – Conta corrente:”. Jotaciático, Pix e Conta-corrente, viste? Mais uma: “O velório e cerimônia de despedida foram em 3/6, em Vargem Grande Paulista (SP).”. E a cerimônia…
Eta nóis… No SP1: “Todos os especialistas que eu conversei…”. Cantou eles, repórtera? Com que conversei, caramba!
Lá, de novo: “O policial já sabia o portão que ele ia acessar o estádio”. Uau, antigamente era “pelo qual” ele iria entrar… Pouco depois foi apresentada uma reportagem que “possuiu” o milho como tema. Uma criativa repórter vê uma criança com uma espiga na mão e pergunta “Por que você está comendo milho?” A resposta veio na testa: “Porque eu gosto…”.
Blog do Ancelmo
Jefe: Ancelmo Gois
Miss Caixa/mistake: Fernanda Pontes
Mister Caixa/errador: Nelson Lima Neto
Errador, o inaugurador da semana: “Veja essa novidade. O RIOgaleão Cargo, terminam de cargas do Aeroporto Internacional do Rio,”. Veja esta, é terminal…
Não tem mais erros porque acabou o texto: “Entre os quase 3 milhões de usuários que registraram seus palpites para os confrontos brasileiros nessa primeira etapa,”. Errador, nesta. E pra que o demonstrativo se basta primeira etapa? “com o placar 2×1 como o mais escolhido. Já no embate contra o Haiti, a vitória aparece em 93% das previsões, com o 3×0 liderando.”; “com o 2×1 como principal placar.”. Errador, você escreveu multiplicação, resultado tem espaço entre o x e os números. “: já foram criados maisde 100 mil mini bolões personalizados entre amigos no Brasil.”. Maxierrador, minibolões, viste?
“Disponível para os usuários do Mercado Pago e Mercado Livre na Argentina, Brasil, México e Uruguai, a plataforma já reúne mais de 8 milhões de pessoas.”. O camaradinha não sabe nada! Em ou no Brasil etc.
Errador erra em qualquer idioma: “Durante as diligências, foram apreendidos celulares,notebooks, um pendrive,”. É separado, escriba, pen drive. “A casa dos avós do vereador, veja só, foi vasculhada pelos policias,”. Não é policias, é puliça… Que tal policiais?
Não, errador! “Novamente preso por ter orquestrado o assassinato de Eliza Samudio, o ex-goleiro Bruno assumiu a função de auxiliar de serviços gerais no Instituto Penal Plácido Sá Carvalho,”. Ele foi novamente preso por haver desrespeitado as regras do regime semiaberto.
MsC, adotou a grafodiversidade? “A biodiversidade da Baía da Ilha Grande, no sul fluminense,”. Sempre escreveu Sul Fluminense… Vixi, piorou com mistake: “Um dos destaques está o enorme cardume de sardinha-cascuda (Harengula clupeola),”. Não é está o, errativa, é “é o”…
Mistake veterana de erra: “Para preservar o bem, Maria Luiza, apontada como cúmplice do pai e que chegou a ser presa, mas que responde ao processo em liberdade, ela está pedindo que a Justiça libere o carro,”. Anacolutista, pra que o “ela”?
Ela, a incurável: “da Secretaria estadual de Cultura,”. Estadual, MsC!
Jefe, não falta nada? “No domingo, morreu Roberto Paulo Cezar de Andrade,”. Neste hoje é sábado, então não “foi” amanhã. Que tal pôr (7)?
Jefe, tá mesmo faltando um: “Ele que era o porta-estandarte / E que fazia alauza e zum-zum /”. Um acento, viste? Ó só: “Ele que era o porta-estandarte / E que fazia alaúza e zum-zum”.
Ih, o jefe tá que nem o errador, pisa na bola em qualquer língua: “A Justiça determinou o pagamento de indenização por entender que houve falhas na prestação de serviços tanto da British Airwais como da Qatar Airwais, que dividirão o prejuízo.”. Pelamordedeus, jefe, não tem way… É ways!!!
Jefe, abra o “Volp”: “e já compartilhou conhecimentos técnicos com congêneres na Palestina e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).”. Leitura direta e mais de três letras… Palop.
Obs. – Aqui depende da vontade do freguês: “Isabella do Cima Klien foi selecionada para o estágio de verão NASA STEM Enhancement in Earth Science,”. Sigla em inglês, a turma usa – sem trocadilho – regra diferente. Mas, por aqui, é normal adaptá-las ao vernáculo, Nasa, Stem.
Que confa, jefe: “Segundo a Falconi Consultoria, o Estado tem o pior resultado do país em gestão da educação”; “Nesta terça-feira, dia 16,”; “o estado do Rio tem o pior resultado do país em gestão da educação estadual.”. À moda do Jack, vamos por partes: neste hoje é 17, portanto nessa terça; por que estado solitário em alta e com o nome em baixa?
Ele não perde uma, o anônimo bloguiano: “a partir de 19h, de uma live com a jornalista Helena Lara Resende, sobre o tema:”. Das, cara-pálida.
Ih, anônimo, Festiva ficou curta: “A 4ª edição do Curta! Festiva, evento anual organizado pelo Canal Curta!”. É Festival, viste?
Tsk, tsk, tsk… “A substituição de postes, cabos e transformadores é uma rotina das distribuidoras de energia. Mas o descarte destes materiais que são substituídos é um desafio para as empresas.”. Descarte o destes e use desses, viste?
Que surpresa! “Considerada uma referência sobre o Quilombo dos Palmares, o livro ‘Memorial dos Palmares” do escritor e jornalista Ivan Alves Filho,”. O livro mudou de gênero, agora é considerada! Tome tento, anônimo, é “o”.
Miracolo, miracolo! É o único erro cometido no dia 16! “de evento de capacitação sensibilização promovido pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura ( SEMOBI ) de Niterói,”. Falta “e” entre capacit. e sensib. e é Semobi, anônimo.
Tá sem crédito, mas a digital é da mistake: “a partir das 18h30m.”. Dezoito horas e 30 metros! Relógio trena! Mistake, é min, sem ponto no fim.
O “Intol” ficou intolerante com ele mesmo de tanto apontar alguns erros que se repetem e repetem e continuarão a ser cometidos: Assembleia-Geral da ONU, Sérgio [Moro], Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Teatro Municipal, PIX, Itaim-Bibi – em vez dos corretos Assembleia Geral da ONU, Sergio, da Segurança, Theatro, Pix, Itaim Bibi. Por uns tempos não serão apontados, serão apontados somente se houver outros erros no texto. Já os daquele brogue voltarão a ser com força total.
Brasileiros e brasileiras, não adianta, é martelar em ferro frio. Como já disse um grande filósofo, “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é uma coisa diferente”. Se juridicamente se deve tratar como suspeito alguém que evidentemente não é até que seja condenado, para nós, simples mortais ainda não assassinados por um deles, uma figura presa em flagrante, gravada em vídeo cometendo um crime, não é suspeito, é um criminoso, foi ele!!! O “Intol”, nesta edição, lidará com o assunto pela última vez por um longo tempo, o tema faz mal para o meu coraçãozinho cheio de maldades – como se refere a mim um amigo.
(CACALO KFOURI)

