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Aumento da ansiedade nesta pandemia. Por Meraldo Zisman

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… como sensação de alerta, a ansiedade é benéfica em alguns casos, pois nos avisa quando enfrentamos situações-chave como, por exemplo, termos de fazer um exame, entregar laudo ou produto, lavar as mãos e usar máscara quando saímos, entre outras tantas. Inversamente, esse sentimento pode ser prejudicial se esse estado de alerta for constante, do qual não podemos nos desconectar…

A ansiedade é um estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso, sendo explicáveis os aumentos de tal ansiedade, em todas as suas modalidades, neste surto de gripe chamado de Pandemia, verbete aqui definido como doença epidêmica de ampla disseminação causada por um vírus.

O que estranho como médico e cidadão é a ausência de profissionais da área da psique tanto nas mídias profissionais e sociais como na esfera governamental e entre entidades médicas em geral. Cabe ainda lembrar o que se entende por Saúde Coletiva um campo de atuação multidisciplinar resultante da integração entre as ciências biomédicas e as ciências sociais. Ela surge das interações sociais e econômicas com o meio ambiente e da avaliação de como as condições de salubridade de uma comunidade são afetadas por essas relações e agravadas, ainda mais por vivermos num país onde as diferenças sociais são espantosas.  Diante desses e de tantos outros desafios aliados a um futuro incerto, não espanta nos encontrarmos num dilema de “lutar ou fugir”, buscando constantemente lutar ou fugir de situações que nos preocupam e nos oprimem.

Advirto: como sensação de alerta, a ansiedade é benéfica em alguns casos, pois nos avisa quando enfrentamos situações-chave como, por exemplo, termos de fazer um exame, entregar laudo ou produto, lavar as mãos e usar máscara quando saímos, entre outras tantas. Inversamente, esse sentimento pode ser prejudicial se esse estado de alerta for constante, do qual não podemos nos desconectar, o que conduz a um círculo vicioso em que refletimos constantemente sobre determinados problemas ou desafios graves, tais como a má situação de fatores econômicos pré-fragilizadíssimos, a agora alcunhada “segurança alimentar” da maioria das nossas populações. Ao que eu prefiro denominar “Fome Ancestral”.

Deveríamos valer-nos da neurociência e recordar que o córtex pré-frontal de nosso cérebro, que lida com processos cognitivos complexos como memória, raciocínio, solução de problemas e planejamento, e a amígdala cerebral, parte de nosso sistema límbico que regula nossas emoções, são influenciados, causando um medo que pode afetar nosso pensamento e sentimentos, mormente se ampliado ao habitarmos espaços digitais nos quais nos encontramos comparando, supondo e especulando muitas vezes sobre outras pessoas que estariam em uma situação melhor do que a nossa, principalmente as que já tomaram as duas doses das vacinas.

Insisto que parte do agravamento da ansiedade e de suas consequências maléficas são o tempo que passamos na frente de nossas telas de TV, ‘smartphones’, computadores, e que como causa não primordial afeta nossos níveis de sono, atenção, relacionamentos e nosso comportamento individual e coletivo em geral –  também estão relacionados à nossa saúde mental.

Sem ela, simplesmente não podemos tentar aumentar ou diminuir o bem-estar ou mal-estar psicossocial, apesar da politização (ato de conscientizar alguém ou um grupo de pessoas da importância de seus deveres e direitos, de modo que tenha pensamentos e ações socialmente adequados). Nosso desempenho cognitivo é impactado pelo emocional, levando-nos a distorcer determinadas situações, o que contribui para um ciclo de ansiedade e estricção.

Como simples médico Pediatra, atualmente exercendo a Psicoterapia de base analítica, gostaria de concluir com um apelo/pedido:

— Devido às novas demandas que se apresentam, precisamos pensar em cuidar do nosso pensamento e de nossos sentimentos, cuidar do nosso bem e termos equilíbrio  social, psicológico e emocional não apenas ao nível individual, mas também ao nível coletivo.

Leia todos os artigos de Meraldo Zisman sobre Ansiedade e outros temas 
aqui no site https://www.chumbogordo.com.br.

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Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Álvaro Ferraz.

 

 

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