Fim da picada, hein Timão? Blog Mário Marinho

Não foi a primeira vez que um time grande perdeu para outro, bem menor.
Isso acontece nas melhores famílias. E há muito tempo.
Como, por exemplo, na Copa do Mundo de 1950, disputada aqui no Brasil, quando a Seleção dos Estados Unidos, sem nenhum grande time ou méritos, eliminou a fortíssima Inglaterra. Esse jogo foi disputado no Estádio Independência, em Belo Horizonte, estádio que hoje é do meu América Mineiro.
Não, eu não estava lá. Não tinha idade para tanto.
Mas eu estava no velho Parque Antártica, em 2002, quando o Asa, de Arapiraca, eliminou o Palmeiras da Copa do Brasil.
São as tais de zebras.
Mas a derrota do Corinthians para a Chapecoense, lanterna do Brasileirão, neste domingo, na NeoQuímica Arena, foi de partir o coração dos corintianos.
A temperatura naquela tarde/noite marcava 10 graus. Garoava e ventava.
Nada disso importou para o torcedor corintiano que compareceu em número de 45 mil, mais alguns heroicos gatos pingados de torcedores da Chape.
Como se dizia nos velhos jogos de truque, era macuco no embornal. Ou seja: favas contadas.
E pareceu que assim seria, pois com dois minutos de jogo o Timão fez 1 a 0.
Mas a Chape empatou ainda no primeiro tempo.
O jogo continuou frio como a temperatura fora de campo e veio o segundo tempo.
No segundo tempo, o Corinthians pareceu que não entrou em campo.
O meia Garro, normalmente de muita garra, passeava em campo como se estivesse na bela e chic Ricoleta, bairro belíssimo e tradicional de Buenos Aires.
Memphis De Pay dava a impressão de que não havia renovado o contrato: até estava em campo, mas não jogava.
O time corintiano parecia um bando de rapazes catado na hora para jogar.
E sem compromisso.
Assim, não deu outra: a Chape virou o jogo, fazendo deste 2 a 1 sua terceira vitória em 26 jogos disputados.
A mim, me parece, que o que mais incomodou a torcida, o que mais a deixou triste foi a falta de empenho dentro de campo.
Um time desconectado, desentrosado e desanimado.
E, nesta quarta-feira, tem jogo pela Libertadores.
Salve-se quem puder.
Siga o líder.
Que, agora, é outro.
Outra derrota muito sentida foi o empate do Palmeiras, 0 a 0, com o Botafogo que lhe custou a liderança do Brasileirão.
Foram 16 rodadas seguidas com o Palmeiras na liderança.
Mas, nas últimas semanas, o Verdão, como se estivesse usando uma caneta emagrecedora, foi perdendo gordurinha.
A gordurinha foi virando gordurão até que custou a liderança.
O Verdão está em segundo lugar, a apenas um ponto de distância do Flamengo.
É nada. Quase nada.
Mas resta saber se essa é a tendência nas próximas rodadas, ou se o Verdão vai se recuperar.
A desculpa do Abel Braga, após o jogo, foi das mais esfarrapadas:
– O Flamengo tem um técnico mais famoso, time mais forte, mais rico, pode contratar a hora que quiser, portanto, nada mais justo que ser o líder.
Desculpa de quem não tem desculpa, Abel.
Sufoco mais do
que o necessário.
A vitória do Santos sobre o Internacional, lá em Porto Alegre, foi daqueles jogos em que todos imaginam uma goleada.
Aos 20 minutos, já vencia por 2 a 0 e alguns torcedores já abandonavam o Beira Rio.
Quando o Santos fez 3 a 0, a goleada ficou mais do que desenhada.
Mas o jogo, já ensinava Chacrinha, o Velho Guerreiro, só acaba quando termina.
O segundo tempo foi totalmente diferente.
Parece que no vestiário, o técnico Cuca falou alguma coisa a seus jogadores, nesse sentido:
– Olha, agora é só tocar a bola porque o jogo está ganho.
Do outro lado, Paulo Pezzolano, parece ter pagado geral para seus subordinados. Alguma coisa nesse sentido:
– Você não têm vergonha na cara? Terminar o primeiro tempo perdendo por 3 a 0 em casa? O que vocês vão falar para seus filhos?
O resultado foi que enquanto o Santos passeava em campo, o Internacional lutava.
Marcou dois gols e, se houvesse mais cinco ou seis minutos de jogo o empate ou talvez até a vitória teria chegado.
Um belo exemplo do que se deve fazer.
Veja os gols do Fantástico:
Mário Marinho – É jornalista. É mineiro. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)
