eleições Baixada

O novo mapa da Baixada e a conta que chega ao porto. Por Antonio Carlos Fonseca Cristiano

… O resultado trouxe um desenho novo para a região. A Baixada Santista elegeu oito parlamentares, seis deputados estaduais e dois federais. A bancada na Assembleia Legislativa cresceu de cinco para seis cadeiras, incluindo vitória expressiva de representante, com potencial para colocar a região no centro do debate paulista…

urna Baixada

Publicado originalmente no DIÁRIO DO LITORAL,
edição de 6 de outubro de 2026

As urnas redesenharam a representação da região. Falta saber se o porto entra na agenda dos eleitos ou segue como assunto de campanha.

Em agosto, escrevi nesta coluna que o santista precisava perguntar aos candidatos qual parcela do investimento público nacional deve retornar aos municípios que sustentam o maior complexo portuário da América Latina. A eleição passou, os votos foram contados e agora começa a parte que realmente interessa, que é saber o que esses mandatos vão entregar.

O resultado trouxe um desenho novo para a região. A Baixada Santista elegeu oito parlamentares, seis deputados estaduais e dois federais. A bancada na Assembleia Legislativa cresceu de cinco para seis cadeiras, incluindo vitória expressiva de representante, com potencial para colocar a região no centro do debate paulista.

Na Câmara dos Deputados, a região perdeu uma cadeira e terá apenas duas para nova legislatura. Esse é o ponto que merece atenção de quem opera no porto todos os dias. Ganhamos força em São Paulo e perdemos peso em Brasília, justamente onde se decide o orçamento da infraestrutura portuária, a política aduaneira, os investimentos ferroviários e as regras que organizam o comércio exterior brasileiro. Nossa bancada federal ficou menor em um ciclo que vai discutir o túnel Santos–Guarujá, a ampliação da poligonal do porto, os acessos viários e a execução de obras que a região espera há décadas.

Não é uma crítica aos eleitos. Muitos já conhecidos e com trajetória na região. É uma constatação aritmética. Dois deputados federais precisarão fazer, em Brasília, o trabalho que seria distribuído entre três. E, para que isso funcione, a atuação terá de ser coordenada com as cadeiras estaduais, com as prefeituras e com o setor produtivo, independentemente da legenda de cada um. A pluralidade partidária que saiu das urnas pode virar riqueza de representação ou dispersão de esforço, e essa diferença será definida já nos primeiros meses de mandato.

Vale registrar outra coisa que ficou evidente na campanha. O porto apareceu nos discursos como símbolo de importância regional, raramente como agenda técnica. Falou-se pouco de calado e dragagem, pouco de eficiência aduaneira, pouco de integração entre modais, pouco de contrapartidas para os municípios que absorvem o impacto da operação. Quem opera sabe que a competitividade do porto se decide nesses detalhes e não em declarações genéricas de apoio. A evolução dos serviços da Receita Federal, o Portal Único Siscomex e o programa do Operador Econômico Autorizado produziram ganhos reais de previsibilidade, e esses avanços precisam de continuidade institucional, com orçamento e com acompanhamento parlamentar.

Também é verdade que projetos importantes finalmente saíram do papel. O túnel entrou em contratação, há investimentos ferroviários em curso e a região da Alemoa recebeu atenção. Obras estruturantes, no entanto, exigem continuidade entre governos, velocidade compatível com a dimensão do problema e transparência sobre cronograma e custo, porque o fluxo logístico e urbano cresce todos os dias enquanto as etapas avançam.

As perguntas que fiz antes do pleito continuam valendo, agora endereçadas a quem tem mandato. Qual é o cronograma de cada obra prometida em campanha? Quais recursos federais estão garantidos no orçamento de 2027 para os acessos ao porto? Como será construído o mecanismo permanente que faz a riqueza gerada pela atividade portuária retornar à Baixada, sem depender de emendas esporádicas? Quem responde pela articulação da bancada regional quando o tema chegar à votação?

A disputa nacional ainda terá um segundo turno e o país seguirá por semanas discutindo o quadro político geral. A Baixada, todavia, já não tem o mesmo tempo. O porto movimenta cadeias produtivas em todo o Brasil e a região convive com acessos pressionados, mobilidade comprometida e uma infraestrutura que corre atrás da expansão do sistema portuário. Os eleitos têm quatro anos pela frente e a região tem memória.

Vamos em frente, com cobrança e com trabalho.


Leia também: Um santo para Santos. Por Antonio Carlos Fonseca Cristiano


CAIOANTONIO CARLOS FONSECA CRISTIANO, “Caio” – Empresário, santista. Presidente da Marimex Inteligência Portuária em Logística Integrada.



                    
                
	            

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