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Um sopro de ar fresco em meio a uma realidade distópica. Por Wladimir Weltman

                                                   Fachada

… Paul Thomas Anderson é um desses cineastas que faz o discurso dos detratores de Hollywood (boa parte da “intelligentsia” brasileira) e sua ação nefasta sobre o cinema mundial ir por água abaixo. Ele me faz pensar em diretores independentes do mundo todo, inclusive do Brasil.

 

Dias atrás assisti uma das primeiras projeções do novo filme de Paul Thomas Anderson, One Battle After Another (não sei ainda o nome em português) e gostei muito. A reação do resto da plateia formada por jornalistas e gente da indústria de cinema americana, foi similar. O filme que conta com um senhor elenco – Leonardo Dicaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, e uma menina que vai dar o que falar chamada Chase Infiniti – foi apreciado por todos os presentes. Não ouvi nenhum dos coleguinhas jornalistas falar mal dele, muito pelo contrário.

O filme que mistura drama com comédia é atualíssimo, mesmo que Paul Thomas tenha começado a escrever o roteiro há 20 anos. O filme fala de temas como a falta de noção de grupos radicais de                esquerda (que eram mais comuns nos anos 70) que no desespero partem pra violência, assim como ridículas associações secretas fascistóides de extrema direita americanas (que por mais idiotas que pareçam existem na verdade), a ação nefasta do governo atual com suas tropas protonazistas do ICE, seu campo de concentração cercado de jacarés, assim como redes subterrâneas de suporte para latinos perseguidos, ou imigrantes ilegais. Ou seja, algo totalmente atual.

Seguida a projeção, houve uma minidebate com a presença dos atores principais e o diretor para a plateia presente e logo depois os presentes foram convidados a uma jantarzinho-lanche na praça contigua a grandiosa  sala de exibição Steven J. Ross bem no centro dos estúdios da Warner Bros. em Burbank, ao lado da cidade cenográfica que inclui a rua cenário usada em filmes como Blade Runner, A Corrida do Século e To be or not to be de Mel Brooks. Onde os artistas se misturaram com os convidados.

Paul Thomas Anderson é um desses cineastas que faz o discurso dos detratores de Hollywood (boa parte da “intelligentsia” brasileira) e sua ação nefasta sobre o cinema mundial ir por água abaixo. Ele me faz pensar em diretores independentes do mundo todo, inclusive do Brasil. Seus filmes fogem as fórmulas cinematográficas americanas. Mesmo fazendo filmes através dos grandes estúdios, ele começou como um verdadeiro diretor independente e até hoje consegue manter essa qualidade em seus roteiros e filmes.

                                                                               Conferência

Nascido em 1970, ele é visto como um dos diretores e roteiristas mais proeminentes de sua geração – nomes como Wes Anderson, Spike Lee, e Quentin Tarantino — diretores frequentemente descritos como “autores” e que produzem filmes únicos e pessoais.

Ao longo de sua carreira Paul Thomas conquistou prêmios como BAFTA e indicações a onze Oscars, três Globos de Ouro e um Grammy. Ele também é o único a ter conquistado o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema de Cannes, o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza e o Urso de Prata e Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

Para mim One Battle After Another foi um agradável sopro de ar fresco num momento em que tudo a minha volta é cinza e opressor. Escrevo estas linhas sob o impacto da suspensão do show de Jimmy Kimmel da rede de TV ABC por fazer comentários considerados ofensivos sobre o assassinato de Charlie Kirk, meses depois do The Late Show de Stephen Colbert ter sido cancelado pela CBS. E quando no Brasil comediantes tem sido processados por fazer humor que não agrada a quem tem poder. A liberdade de expressão da imprensa e do mundo do entretenimento são sintomas de que a sociedade e a liberdade de todos nós está em  risco.

Wladimir Weltman – na Warner

Infelizmente estamos vivendo tempos de radicalização e extremismos burros, cegos, idiotas, onde o bom senso e a serenidade são tomados por turbas vociferantes, de crentes plenos de certezas completamente infundadas, a brandar tochas ardentes em busca de justiça que não é justiça, mas apenas justiçamento unilateral.

Recomendo assistir One Battle After Another que estreia em todo o mundo a partir de 25 de setembro para ver o quanto todos esse radicalismo é ridículo e não leva a nada. Que o importante são valores humanos propagados por figuras como Cristo, Martin Luther King, o Papa Francisco e outros que tais. No pano de fundo de One Battle After Another existe uma história de amor entre um pai e uma filha, cercados por esse mundo insano em que vivemos hoje em dia, em que as coisas realmente importantes são delegadas ao segundo plano em nome de crenças e posições justiceiras, que não obedecem a inteligência e aos fatos.

Deixem o mundo insano de fora e entre no escurinho do cinema por alguns momentos de bom cinema.

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WLADIMIR WELTMAN – é jornalista, roteirista de cinema e TV e diretor de TV. Cobre Hollywood, de onde informa tudo para o Chumbo Gordo.

_________________________(DIRETO DE LOS ANGELES)

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