Crédito imagem: dramafever.com

Já faz alguns anos que Argélia, Marrocos e países da África Negra enviam “olheiros” à Europa à cata de bons jogadores jovens e com dupla nacionalidade. 

Crédito imagem: dramafever.com

Se vosmecê observar os jogadores da Inglaterra, da França, da Alemanha, e até da Espanha e de Portugal, vai notar a presença de numerosos pretos, mulatos, turcos e árabes, que não têm a aparência típica dos originários de uma Europa de brancos. Há quem imagine que se trata de esportistas “importados”, trazidos do exterior para serem treinados e naturalizados a fim de engordarem a seleção nacional. Não é bem assim.

Desde os anos 1960-70, com a independência das colônias africanas, a Europa tornou-se terra de imigração. Em vez de exportar contingentes de camponeses pobres, passou a importar ex-colonizados em busca de melhor sorte.

Com isso, a presença, no seio da população, de tipos antes exóticos foi-se tornando cada dia mais comum. Com o passar do tempo, a imensa maioria desses novos imigrantes foi se naturalizando; acabaram tornando-se franceses, espanhóis, alemães. O processo de aquisição da nacionalidade ocorre geralmente a partir do momento em que o interessado chega à maioridade, dependendo do país. Esse movimento de população deu origem a grande número de europeus com dupla nacionalidade: a adquirida por naturalização e a herdada dos pais pela “jus sanguinis”.

Os futebolistas que hoje atuam na seleção inglesa, assim como na francesa, na alemã e nas outras, entram praticamente todos nessa categoria de descendentes de imigrantes. É curioso que essa imigração abriu excelentes possibilidades para os selecionadores dos países de origem dos imigrantes.

Já faz alguns anos que Argélia, Marrocos e países da África Negra enviam “olheiros” à Europa à cata de bons jogadores jovens e com dupla nacionalidade. Após um trabalho de convencimento, evitam que os pupilos joguem partidas internacionais com o uniforne de um país europeu, levam os jovens para o país de origem e os retêm com a perspectiva de virem a entrar para a seleção.

Um exemplo inacreditável vem agora. Vosmecê sabia que, dos 26 selecionados do Marrocos, apenas sete nasceram lá? Pois é, nada menos que dezenove nasceram no estrangeiro. Não tiveram de se naturalizar marroquinos, pois já o eram. Dos 19 jogadores, 6 nasceram na França, 6 na Espanha, 3 na Bélgica, 3 na Holanda e até um no Canadá, o goleiro(*).

Assim, de cada 4 jogadores da seleção marroquina, três nasceram fora do país.

(*) Uma curiosidade quanto a Yassine Bounou, o goleiro do Marrocos. Considerando todas as Copas organizadas até hoje, ele é o único jogador a ter atuado duas vezes, em diferentes edições da Copa, contra seu país de nascença. De fato, em 2022 e em 2026, ele esteve no gol marroquino num jogo contra o Canadá. O Marrocos venceu ambas as partidas.

____________________

JOSÉ HORTA MANZANO – Escritor, analista e cronista. Mantém o blog Brasil de Longe. Analisa as coisas de nosso país em diversos ângulos,  dependendo da inspiração do momento; pode tratar de política, línguas, história, música, geografia, atualidade e notícias do dia a dia. Colabora no caderno Opinião, do Correio Braziliense. Vive na Suíça, e há 45 anos mora no continente europeu. A comparação entre os fatos de lá e os daqui é uma de suas especialidades.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter