Como governará Trump depois da derrota? Por Rui Martins
…Para governar como tem governado, Trump não precisa de autorização do Congresso. Tudo que tem feito até aqui é na base decretos, desde os direitos de alfândega ou tarifaços aos atos violentos do ICE para expulsar imigrantes. Trump nestes dois primeiros anos de seu governo tem agido sem comunicar e sem pedir aprovação do Congresso…

Será que o presidente norte-americano Trump perderá as rédeas do governo, a partir de janeiro, depois da dura derrota, na qual perdeu o controle do Senado e da Câmara de Deputados? Essa é a pergunta que todos fazem, surpresos com a decisão pacífica do presidente Trump de aceitar os resultados das apurações. O autoritário Trump se resignará com um papel secundário, durante seus dois anos restantes de mandato?
Na verdade, os democratas, dispondo da maioria de senadores e deputados, poderão tentar travar a sequência autoritária do governo Trump, mas alguns jornais como o francês Courrier International, se reportando ao experimentado jornalista Gerard Baker, que foi redator-chefe do Wall Street Journal, expressam suas dúvidas. Trump não ficará de mãos atadas e nem será obrigado a governar só por meio de vetos, não será apenas o Presidente Veto, como se expressou recentemente.
Para governar como tem governado, Trump não precisa de autorização do Congresso. Tudo que tem feito até aqui é na base decretos, desde os direitos de alfândega ou tarifaços aos atos violentos do ICE para expulsar imigrantes. Trump nestes dois primeiros anos de seu governo tem agido sem comunicar e sem pedir aprovação do Congresso, valendo-se de um reforço do poder executivo sobre o legislativo, apoiando-se na Corte Suprema, onde desfruta de confortável maioria. Pode-se imaginar uma adaptação de Trump à nova realidade continuando a contar com o apoio da Corte Suprema, equivalente ao nosso STF, para derrubar qualquer iniciativa majoritária de senadores e deputados. A Corte Suprema, embora tendo ministros não eleitos pelo povo mas indicados pelo próprio Trump no seu primeiro governo, poderá declarar inconstitucional qualquer pedido de impeachment contra Trump. Situação parecida com a do Brasil, onde o Senado com maioria bolsonarista não poderá anistiar os golpistas presos e nem impichar o presidente Lula e ministros do STF, sem aprovação do STF, onde o governo tem maioria.
Diante da nova realidade, Trump provavelmente continuará a baixar seus decretos, enquanto os deputados farão pressão por inquéritos, inclusive o de Epstein, e investigações sobre custos e utilização de armamentos na guerra contra o Irã. Por seu lado, o Senado poderá travar nomeações na alta administração, complicando a indicação de embaixadores e de juízes federais inclusive na Corte Suprema. Limitado pelo Senado e pela Câmara quanto a ações e decretos dentro do país, Trump poderá se concentrar na política estrangeira, prosseguindo a guerra contra o Irã, assumindo o controle de Cuba e tentando favorecer um acordo de paz com a Rússia às custas de um esfacelamento da Ucrânia. Um paradoxal acordo, no qual a derrota da Ucrânia invadida, terá o apoio de uma parte da esquerda europeia e mesmo brasileira.
A vitória dos democratas nos EUA pode ser funesta para os brasileiros envolvidos na tentativa de Golpe, atos antidemocráticos e contra nossa soberania nacional como Allan dos Santos, Paulo Figueiredo Filho, Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Flávio Bolsonaro, refugiados nos EUA. Numerosos deputados norte-americanos já declararam sua intenção de aprovar decretos pela anulação dos seus vistos de permanência e sua expulsão ao Brasil.
Nesta hipótese, tais pessoas serão entregues diretamente à Justiça brasileira, onde alguns já têm prisões decretadas.

Referências:
Courrier International
https://www.facebook.com/courrierinternational.com/posts/beaucoup-lesp%C3%A8rent-le-3-novembre-les-d%C3%A9mocrates-reprendront-le-contr%C3%B4le-du-congr/1547252860770171/
Jornal suíço Le Temps
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- Rui Martins também está em versão sonora no Youtube, em seu canal –
https://www.youtube.com/@rpertins

