Costuma-se chamar de Cassandra quem prevê que algo vai dar errado e dizem ser uma pessoa agourenta, mesmo que a previsão se confirme mais à frente. Isso, por desconhecerem a figura mitológica: Cassandra sofreu assédio sexual do deus Apolo, não topou dormir com ele e levou um castigo, o de fazer previsões que estavam sempre certas, mas que ninguém levava a sério. Como se pode ver, o desrespeito às mulheres vem de longe, mas a ignorância, nem tanto. Eu, por exemplo, de 2006 a 2014, fui analista de conteúdo da Agência Brasil (da hoje Empresa Brasil de Comunicação, EBC), tempo dividido em dois períodos, de 2006 a 2008, quando a empresa ainda se chamava Radiobras (e minha opinião valia), e de 2008 a 2014, já EBC. No segundo período, alertava diariamente em meus relatórios que a política de conceder crédito fácil a quem mal conseguia somar dois com dois iria redundar em desastre mais à frente. Fui solenemente ignorado pois a agência começava a dar sinais do que é hoje, quase uma assessoria do Palácio do Planalto (e, ao que tudo indica, o pedido de demissão do presidente e do diretor-geral da EBC tem a ver com resistência a isso). Sentia-me um Cassandro, pois os sinais do desastre eram cada vez mais evidentes e ninguém dava ouvidos. Eis uma das provas de que eu, modéstia inclusa, estava certo, publicado no G1:
À medida que o tempo passa, o Volp vai sendo atualizado, palavras vão sendo incorporadas, mas, até que isso ocorra, não existem oficialmente. Sobre gramática, nem os gramáticos se entendem…